Comitê da ONU condena clonagem

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Declaração também abrange o uso da técnica para obter células-tronco

Um comitê da Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou ontem uma declaração que pede aos governos do planeta a proibição de todas as formas de clonagem humana, incluindo as que envolvem os estudos com células-tronco embrionárias.

Numa votação acirrada (71 votos a favor da declaração e 35 contra, com 43 abstenções), o comitê legal se declarou a favor da proposta, feita pelo governo de Honduras e apoiada pelo governo dos Estados Unidos. Agora, a medida deverá ser votada pela assembléia de 191 países-membros da ONU.

Segundo muitos cientistas, a clonagem terapêutica, que ainda está longe de ser uma realidade, poderia se tornar uma fonte de células-tronco (capazes de se transformar em qualquer tecido do organismo) e atacar grande número de doenças hoje irreversíveis. Mas, para obter tais células, seria preciso destruir os embriões de onde elas são retiradas -coisa que, para o governo George W. Bush e diversas religiões, equivale a um assassinato.

O tema vem sendo debatido pelo comitê legal desde 2001. Apesar da pressão do governo americano, os membros da comissão não chegavam a um acordo: muitos defendiam proibir apenas a clonagem reprodutiva (ou seja, produzir um bebê com as mesmas características genéticas de outra pessoa) e liberar as pesquisas com potencial terapêutico.

A proposta de Honduras falava em "proibir todas as formas de clonagem humana, já que são incompatíveis com a dignidade humana e a proteção da vida humana". Países como o Reino Unido, que já deu permissão a cientistas para estudar a clonagem terapêutica, colocaram-se contra a medida. Grupos antiaborto nos EUA aplaudiram a decisão.

Folha de São Paulo, Brasil, 19-2-05

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