bienvenidas y bienvenidos a

Biodiversidad en América Latina y El Caribe

Link de este artículo: http://www.biodiversidadla.org/Principal/Secciones/Documentos/Brasil_A_guerra_da_agua_no_norte_de_Minas_agua_para_o_ouro_!sede_para_o_povo
Autor Comissão Pastoral da Terra Idioma Portugués Pais Brasil Publicado 9 agosto 2017 21:10

Brasil: A guerra da água no norte de Minas: água para o ouro, ¡sede para o povo!

| Más

A mineradora Canadense Yamana Gold, antes Capathion Gold, faz de tudo pra sugar a água do semi-árido Norte Mineiro para levar o ouro de helicóptero para fora de Riacho dos Machados. Anunciado pelos movimentos e alguns técnicos da região, não existe água suficiente para a mineração de ouro no local da mina. Mesmo assim o COPAM e a SUPRAM, sempre seguindo a orientação dos grandes projetos e empresas, licenciaram a obra.

Após a licença ambiental a empresa retirou água subterrânea das comunidades do entorno. Neste ano construiu uma barragem da água para o processo minerário. Com o falso discurso de perenizar o Rio Rodeador, conseguem a licença. Com a barragem construída não corre uma gota de água no Rio Rodeador. O rio é intermitente, mas os poços ficam cheios de água durante o ano. Após a barragem a agua está suja e com menor volume. As famílias que moram à jusante tem agora menos acesso à agua. A empresa Yamana não cumpriu a condicionante de atender aos usos prioritários das famílias que moram ao longo do rio. A SUPRAM/MG apenas concede as absurdas licenças. Não fiscaliza, não acompanha, não tem informações do povo atingido.

A empresa agora suga a água do Rodeador para a exploração do Ouro – 24 horas por dia. A infraestrutura hídrica que atende a população rural e urbana de Riacho continua precária. O tal progresso ainda não apareceu em Riacho.

Barragem de Bico da Pedra – Crise

As grandes barragens, solução apontada por muitos para a saída da crise hídrica, mostra com fatos que a questão tem que ser tratada de outra forma. A barragem do Bico da Pedra, localizada na Bacia do Rio Verde Grande, na “sub” bacia do Rio Gorutuba, está com a sua cota de água praticamente no nível do volume morto. Ela abastece as cidades locais e o perímetro irrigado do Gorutuba – grande parte a monocultura da Banana. O uso da água vem passando por racionamentos nos últimos anos. A Agência Nacional das Águas (ANA) determinou que a partir do dia primeiro de setembro será suspensa a distribuição de água para o perímetro irrigado – priorizando o consumo humano.

A barragem de água da Mineradora está localizada em um afluente da Barragem de Bico da Pedra.

Água para os Grandes do Agronegócio

A fazenda Santa Monica (Fortaleza de Santa Teresinha Agricultura e Pecuária Ltda), da família Lima Geo, está localizada a 40 km da barragem do Bico da Pedra, boa parte dela no Riacho Salobro, afluente do Rio Verde Grande. Voltada principalmente para a criação de bovinos, em aproximadamente 8 mil hectares, tem uma estrutura de 5 barragens – umas delas desvia as águas do Rio Verde Grande – e 65 poços tubulares. Sempre atuou sem licença ambiental, agora tem um processo de licença corretiva com os órgãos ambientais. Os empresários querem regularizar o uso de 18,5 milhões de m3 de água por ano.

Tem água, mas não para o Povo!!

A COPASA de Montes Claros anuncia o risco de falta de água para a população da cidade. Ela não investe em sistemas produtores de água, apenas retira a água, “trata”, distribui e cobra da população. Recentemente, de forma autoritária, apresenta um projeto de retirada da água do Rio Pacuí, afluente do Rio São Francisco. A COPASA diz que vai retirar quase a metade da vazão do Rio Pacuí: 300 litros/s. A população que vive da água do Pacuí não aceita o projeto.

Uns 90 km de Montes Claros, a mesma família Lima Geo, com um nome empresarial parecido com o da Santa Mônica (Fortaleza de Santa Teresinha Empreendimentos e Participações Ltda), em Jequitaí, está licenciando de forma corretiva um empreendimento para criar Gado com área de 6.500 has. Estão licenciando um volume de água de 17 milhões de m3 por ano. Possuem 15 outorgas no Rio Jequitaí e querem implantar 15 pivôs centrais.

A demanda atual de Montes Claros é aproximadamente 23,6 milhões de m3/ano. Façamos as ponderações técnicas, geográficas ou outras, mas uma mesma empresa usa 35,5 milhões de m3 por ano, enquanto 400 mil habitantes usam 23,6 milhões. Vários outros exemplos podem ser dados, como a enorme quantidade de poços artesianos clandestinos que são furados todos os dias na região. Ou as licenças ambientais para os grandes projetos que degradam as águas, além de concentrar a terra e riqueza.

Água é fonte de vida para nós que defendemos a casa comum e a comunhão. Mas água é também fonte de lucro. Os grandes negócios controlam o Estado, a Água e a Terra. Neste caos, que serve aos grandes, as contradições explicitam-se e o povo sente o sabor amargo de pagar a conta.

Abaixo, fotos do atual estado da água dos poços do Rio Rodeador utilizado pelas famílias à jusante da barragem e imagens da situação da barragem de água da mineradora Yamana Gold e do Rio Rodeador que deveria ser perenizado em Riacho dos Machados.

Por Comissão Pastoral da Terra

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Alexandre Gonçalves.

Fonte: Racismo Ambiental


¡Comente este artículo!

| 1999-2017 Biodiversidad