Brasil: carta abierta aos Ministros do Conselho Nacional de Biossegurança
"A liberação comercial de plantas transgênicas é tema altamente controverso por envolver a um só tempo questões ligadas à produção e ao consumo de alimentos, à segurança e soberania alimentar, ao meio ambiente, à saúde, à dependência tecnológica, ao acesso aos recursos genéticos e aos direitos dos agricultores. Esses são motivos de preocupação que vêm motivando a sociedade civil brasileira organizada a debater e se posicionar sobre o tema em seus diferentes espaços de articulação."
CARTA ABERTA AOS MINISTROS DO CONSELHO NACIONAL DE BIOSSEGURANÇA
11/02/2008
Excelentíssimos Senhores Ministros,
A liberação comercial de plantas transgênicas é tema altamente controverso por envolver a um só tempo questões ligadas à produção e ao consumo de alimentos, à segurança e soberania alimentar, ao meio ambiente, à saúde, à dependência tecnológica, ao acesso aos recursos genéticos e aos direitos dos agricultores. Esses são motivos de preocupação que vêm motivando a sociedade civil brasileira organizada a debater e se posicionar sobre o tema em seus diferentes espaços de articulação.
Com a proximidade da reunião do Conselho Nacional de Biossegurança no dia 12 de fevereiro e com a anunciada decisão governamental acerca da liberação comercial do milho transgênico, faz-se necessário recapitular e reiterar algumas dessas manifestações contrárias à liberação do milho transgênico na expectativa de que elas encontrem ouvidos sensíveis neste governo:
- Em outubro de 2007 o Comitê de Agroecologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável - CONDRAF decidiu por encaminhar uma Moção Contra a Liberação Comercial do Milho Transgênico ao Presidente da República, ao CNBS e à CTNBio. No manifesto, os 20 signatários, representantes de setores governamentais e não-governamentais e dos movimentos sociais, destacaram que o milho é alimento de uso diário da população brasileira e que a impossibilidade de coexistência causará enormes prejuízos aos mais de 4 milhões agricultores familiares e tradicionais do País. Por fim, solicitaram aos Ministros que compõem o Conselho Nacional de Biossegurança “ Que revoguem imediatamente as decisões da CTNBio de liberação comercial do milho transgênico”.
- Um mês antes, em 05/09/2007, os movimentos sociais e entidades que compõem o Fórum Nacional da Reforma Agrária e Justiça no Campo encaminharam carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertando que a liberação do milho transgênico pode destruir a agricultura familiar camponesa do país. “ Nosso país não pode se submeter à força do poder econômico dessas corporações. Não podemos aceitar que controlem nossas sementes”.
- As preocupações com a liberação do milho transgênico também partiram do meio acadêmico. Professores da PUC-SP enviaram Carta Aberta ao MCT (17/04/2007) considerando que os procedimentos adotados pela presidência da CTNBio e pela maioria dos seus membros em relação à liberação do milho transgênico são incompatíveis com a democracia e com uma ciência responsável.
- Professores da USP também divulgaram carta aberta à comunidade científica e à CTNBio em 13/03/2007. Com a iminência da liberação do milho transgênico, os signatários solicitaram providências com relação à falta de definição de regras claras para liberação de sementes transgênicas para o uso comercial e criticaram a presidência da CTNBio, que reiteradas vezes utiliza-se do argumento da autoridade científica dos membros como garantia da legitimidade das decisões. Cópia da carta foi enviada ao Presidente da República, à Procuradoria Geral da República do Ministério Público Federal e às presidências da Câmara do Deputados e do Senado Federal.
- A maneira anti-científica como a CTNBio encaminhou as discussões para a aprovação das regras de coexistência e monitoramento pós-comercialização motivou 7 de seus doutores a deixarem plenário como forma de protesto (16/08/2007). Para esses conselheiros, “ A CTNBio necessita debater a biossegurança e não somente pleitos da biotecnologia”.
- A preocupação com a liberação do milho transgênico está presente nas diferentes regiões do País. Os mais de 400 agricultores e agricultoras, estudantes e representantes de organizações ligadas à Articulação do Semi-Árido Brasileiro presentes ao IV Encontro Nacional da ASA-Brasil aprovaram moção se posicionando firmemente contrários às plantas transgênicas e ao projeto de agricultura representado pelo agronegócio. “ Estamos demonstrando diariamente a viabilidade da agroecologia como forma de se promover o desenvolvimento do campo de forma a produzir alimentos saudáveis, em quantidade e respeitando o meio ambiente” (24/11/2006).
- No dia 14 de junho de 2007 o Conselho Nacional de Biossegurança recebeu um Manifesto Contra o Milho Transgênico, assinado por 111 entidades, redes, fóruns e movimentos sociais de todo o País, afirmando que sua liberação é uma irresponsabilidade da CTNBio, cuja maioria dos cientistas está comprometida com os interesses das empresas multinacionais. As entidades destacam a ausência de estudos sobre impactos à saúde humana, o direito de não plantar e não consumir transgênicos e a defesa da soberania sobre nossas sementes e sobre nossos alimentos para cobrar do CNBS a anulação da decisão da CTNBio.
- Para acelerar as aprovações comerciais, o governo editou uma Medida Provisória reduzindo o número de votos necessários na CTNBio. A medida foi fortemente criticada por mais de 80 organizações da sociedade civil de todas as regiões do País e por 81 deputados federais e 7 senadores que pediram veto a artigos do projeto de lei “ para que a lei da impunidade não se sobreponha à de biossegurança, nem o lucro de poucas multinacionais ao interesse público” (13 de março de 2007).
- Também o CONSEA Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, ligado à Presidência da República, posicionou-se repetidas vezes de forma contrária à liberação dos transgênicos, sendo que o plenário da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional aprovou uma Moção Contra a Liberação do Milho Transgênico na qual aponta dados que colocam em dúvida perante a sociedade brasileira a conduta da CTNBio (05/07/2007). Outras manifestações recentes poderiam ser aqui listadas. Contudo, o mais importante é enfatizar o quanto essas preocupações se fazem cada vez mais presentes na nossa sociedade. Pesquisa de opinião do ISER apontou que 74% dos brasileiros preferem alimentos não-transgênicos.
Senhores Ministros, confiamos que a responsabilidade dos cargos públicos a que vos foi confiada e o respeito ao meio ambiente e à biodiversidade, à saúde da população, guiarão vossa decisão. 1. AAO - Associação de Agricultura Orgânica 2. ABA - Associação Brasileira de Agroecologia 3. ABCCON-MS Associação Brasileira da Cidadania e do Consumidor do Mato Grosso do Sul 4. ABD - Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica 5. ABDSUL - Associação de Agricultura Biodinâmica do Sul 6. ABED-CE - Associação Brasileira de Economistas Domésticos 7. ABIO - Associação de Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro 8. ABRAÇO-BA - Associação Baiana de Radiodifusão Comunitária 9. ABRANDH - Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos 10. ABREA - Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto 11. ACOPA-PR - Associação dos Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná 12. ACV-RO - Associação Cidade Verde 13. ADEC-CE - Associação de Educação e Defesa do Consumidor 14. ADECON-PE - Associação de Defesa da Cidadania e do Consumidor 15. ADOCON/TB-SC - Associação das Donas de Casa, dos Consumidores e da Cidadania de Santa Catarina 16. ADOCON-SC - Associação Catarinense de Defesa dos Direitos da Mulher, Donas de Casa e Consumidor 17. ADOC-PR - Associação de Defesa e Orientação do Cidadão 18. ADUSEPS-PE - Associação dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde 19. AFES - Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade 20. AGAN - Associação Gaúcha de Nutrição 21. AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural 22. AMAR - Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária Paraná 23. AMAVIDA - Associação Maranhense para a Conservação da Natureza 24. AMPJ - Associação Movimento Paulo Jackson Ética, Justiça, Cidadania 25. ANA - Articulçação Nacional da Agroecologia 26. AOPA - Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia 27. APOINME - Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo 28. APROMAC - Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte Paraná 29. ASA - Brasil - Articulação do Semi-Árido Brasileiro 30. ASADEC-CE - Associação de Apoio e Defesa do Consumidor 31. AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa 32. ASSESOAR - Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural 33. Associação de Pequenos Agricultores da Comunidade São José (Santa Maria do Tocantins) 34. Associação de Pequenos Agricultores da Comunidade Soninho - APAS (Santa Maria do Tocantins-TO) 35. Associação Ecobé - Arroio do Meio - RS 36. Associação HOLOS Meio Ambiente e Desenvolvimento 37. Broto Brasilis Associação para o Eco Desenvolvimento 38. CAPA Santa Cruz do Sul - Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor 39. CAPINA - Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa 40. CDC- RN - Centro de Defesa do Consumidor do Rio Grande do Norte 41. CEA - Centro de Estudos Ambientais 42. CEDAC - Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado 43. CEDEFES - Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva 44. Centro Ecológico IPÊ 45. Centro Nordestino de Medicina Popular 46. Centro Sabiá 47. CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço 48. CETAP - Centro de Tecnologias Alternativas Populares 49. Comissão Pró-Índio de São Paulo 50. COMSEA - Itapiranga/SC - Conselho Municipal de Segurança Alimentar 51. Cooperativa Cedro 52. COOSPAT - MA - Cooperativa de Serviços, Pesquisa e Assessoria Técnica 53. COPATIORÔ Cooperativa de Serviço e Apoio ao Desenvolvimento Humano e Sustentável Atiorô - Conceição do Araguaia-PA 54. CPT - Comissão Pastoral da Terra 55. CTA-ZM Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata-MG 56. DECONOR-SC - Comitê de Defesa do Consumidor Organizado de Florianópolis 57. ECOCOÊ - Soluções Ambientais 58. ESPLAR - Centro de Pesquisa e Assessoria 59. FASE - Solidariedade e Educação 60. FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais 61. FEAB - Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil 62. FEDC-RS Fórum Estadual de Defesa do Consumidor 63. FETRAF-SUL - Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar 64. FIAN Brasil - Rede de Informação e Ação pelo Direito a se Alimentar 65. FNDC-BA - Comitê da Bahia Pela Democratização da Comunicação 66. Fórum Carajás 67. Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor 68. Fundação Cebrac 69. FVA - Fundação Vitória Amazônica 70. Greenpeace 71. Grupo de Ação Ambiental Vila Viva 72. Grupo Mamangava, PoA/RS 73. GTNA - Grupo de Assessoria em Agroecologia na Amazônia 74. IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas 75. ICONES-PA - Instituto para o Consumo Educativo Sustentável do Estado do Pará 76. IDEC - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor 77. INESC - Instituto de Estudos Socioeconômicos 78. InGá - Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais 79. Instituto Equipe 80. ISA - Instituto Socioambiental 81. ISPN - Instituto Sociedade, População e Natureza 82. MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens 83. Marcha Mundial de Mulheres 84. MDCCB - Movimento de Donas de Casa e Consumidores da Bahia 85. MDCC-RS - Movimento das Donas de Casa do Rio Grande do Sul 86. MDC-MG - Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais 87. MMC - Movimento de Mulheres Camponesas 88. MPA - Movimento de Pequenos Agricultores 89. MST - Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra 90. Núcleo Agrário da Bancada do PT na Câmara dos Deputados 91. Núcleo Amigos da Terra/Brasil 92. Núcleo de Meio Ambiente do PT na Câmara dos Deputados 93. Pastoral da Criança São Sebastião do Alto-RJ 94. PJR - Pastoral da Juventude Rural - 95. RAMA - Rede de Agroecologia do Maranhão 96. RAP-AL Brasil - Red de Acción en Plaguicidas y sus Alternativas para America Latina - 97. Rede Acreana de Mulheres e Homens do Acre 98. Rede Capixaba de Educação Ambiental 99. Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas 100. Rede Ecovida de Agroecologia 101. Rede Fitovida - Movimento Popular de Saúde Alternativa do Estado do Rio de Janeiro 102. Rede Social de Justiça e Direitos Humanos 103. Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto para a América Latina 104. SASOP - Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais 105. Sindicato dos Professores de Nova Friburgo e Região - RJ 106. Sindicato dos Sociólogos de São Paulo 107. Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Loreto-MA 108. SOS Amazônia 109. Terra de Direitos 110. Via Campesina Brasil 111. Vida Brasil -CE Valorização do Indivíduo e Desenvolvimento Ativo
Enviado por Campanha Livre de Transgênicos
