Brasil: Mulheres da Via Campesina ocupam multinacional de agrotóxicos em Taquari

Idioma Portugués
País Brasil

Nesta manhã, 600 mulheres da Via Campesina ocuparam a empresa fabricante de agrotóxicos Milenia em Taquari/RS, situada na Avenida Júlio de Castilhos, 2085, Taquari-RS.

A companhia faz parte do grupo israelense Makhteshim Agan, fabricante de agrotóxicos, sendo a maior unidade industrial localizada fora de Israel. Esta ação serve para denunciar o modelo de agricultura que se baseia na utilização de grandes quantidades de agrotóxicos que, segundo as mulheres, destrói o meio ambiente e ameaça a soberania alimentar do país.

Segundo as militantes, no Brasil a venda de agrotóxico nos últimos 10 anos ultrapassou os 190%, ainda que cada brasileiro consome cerca de 5,2 litros deagrotóxico por ano através da alimentação. Estes mesmos dados informam que as propriedades com mais de 100 hectares são as que mais utilizam defensivos na produção de alimentos.

Jornada no Rio Grande do Sul

As mulheres da Via Campesina, do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e do Levante Popular da Juventude do Rio Grande do Sul, realizam entre

os dias 6 a 8 de março, a Jornada Nacional de Luta das Mulheres do Campo e da Cidade.

Outras 400 mulheres ligadas ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Conselho Municipal da Mulher e Escola Família Agrícola, se reúnem em Santa Cruz do Sul, onde realizam estudo pela manhã e uma marcha no centro da cidade, tendo como tema de denúncia a violência praticada contra as mulheres e alimentação produzida com agrotóxicos.

Segundo Rosieli Ludtke, da Direção Nacional do MPA “as ações visam denunciar o modelo agroalimentar exportador que controla toda a cadeia produtiva de alimentos e ameaça a soberania alimentar da nação. Reivindicamos o direito de produzir alimentos saudáveis em um modelo de agricultura que preserva o meio ambiente, livre de transgênicos e das monoculturas de exportação”.

Jornada Nacional de Luta das Mulheres do Campo e da Cidade

A Jornada Nacional acontece desde 2006 e congrega ações articuladas nacionalmente pelas mulheres dos movimentos que compõe a Via Campesina, pelas mulheres do MTD e do Levante Popular da Juventude. Ao longo desses anos, diversas ações foram protagonizadas pelas mulheres como forma de luta e resistência à opressão e à dominação que sofrem na esfera privada e pública pelo sistema machista e patriarcal.

A Jornada aglutina as demandas das mulheres dos movimentos sociais através de ações conjuntas, que evidenciam as diversas formas de violência sofridas no cotidiano. Em 2013, o tema “Por vida e soberania alimentar, basta de violência contra a mulher” evidencia a falta de condições para produzir alimentos saudáveis como uma forma de violência que afeta diretamente a vida das mulheres.

A redução dessa violência, segundo as mulheres, passa pela produção de alimentos saudáveis, preservação das sementes crioulas, práticas agroecológicas sem agrotóxicos, a realização de uma reforma agrária e urbana que atenda aos interesses do povo brasileiro e mudanças estruturais nas relações entre as pessoas e destas com o meio ambiente.

Fuente: MST - Brasil

Temas: Feminismo y luchas de las Mujeres

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