Veja a Declaração Política do Encontro Internacional da Juventude em Luta

Idioma Portugués

O Encontro reuniu 280 jovens militantes de 43 nações, de 4 continentes, representando 115 movimentos populares.

Foi divulgada nesta terça-feira (05) a Declaração Política do Encontro Internacional da Juventude em Luta – Mulheres de Kobane, realizado entre os dias 21 e 25 de junho de 2016, na cidade de Maricá- RJ-Brasil, nos marcos do I Festival Internacional da Utopia.

O Encontro reuniu 280 jovens militantes de 43 nações, de quatro continentes, representando 115 movimentos populares, que se desafiaram a fortalecer os laços de solidariedade internacional entre os povos e lançar a articulação internacional da Juventude em Luta como forma de enfrentar a ganância e a violência do imperialismo e as empresas transnacionais de forma unitária em forma de luta, solidariedade e organização. Confira o manifesto:

ENCONTRO INTERNACIONAL DA JUVENTUDE EM LUTA – MULHERES DE KOBANE

Declaração Política

Viemos de 43 nações, de 4 continentes. Temos distintas culturas e experiências de vida, falamos diferentes línguas. Apesar dessa diversidade, há algo que nos unifica para além de fazermos parte de uma mesma geração: a violência sistêmica a que estamos submetidos. Essa condição conforma a nossa identidade que se expressa internacionalmente na luta, como forma de resistência da juventude ao imperialismo.

Reunidos na cidade de Maricá no Rio de Janeiro – Brasil entre os dias 21 e 25 de junho de 2016, nós, jovens lutadores de mais 115 organizações, realizamos o Encontro Internacional da Juventude em Luta – Mulheres de Kobane. Nestes dias reafirmamos os nossos compromisso de construção de uma articulação internacional da Juventude em Luta, de caráter anti-imperialista, anticolonialista, anticapitalista,  antineoliberal e antipatriarcal.

Vivemos um período de múltiplas crises, que colocam em cheque o sistema capitalista tal como conhecemos. Presenciamos a agudização da crise econômica mundial, que teve início em 2008, no centro do sistema, e agora se espalha globalmente, provocando aumento brutal do desemprego, da miséria, fluxos massivos de imigração. Apesar das guerras promovidas pelo imperialismo como forma de acelerar a atividade econômica e ampliar o domínio e a exploração de territórios e recursos, ainda não há uma perspectiva de saída para essa crise. Com isso, a violência do capital potencializa a crise social, provocando repressão policial, genocídio das populações mais pobres, em especial da juventude.

Essa crise econômica impacta ainda mais o nosso ecossistema, colocando em risco a sobrevivência do planeta. A exploração desenfreada e incessante por parte das empresas transnacionais em busca da recomposição de suas taxas de lucro acentuam a crise ambiental.

Além dissoestamos vivenciando uma crise de natureza políticana medida em que as instituições do Estado perdem a legitimidade perante a sociedade, pois cada vez menos respondem as demandas da população.  Esta crise política também é evidenciada na incapacidade do Estado em regular a economia. Portanto, o que vemos é uma participação mínima ou inexistente dos povos na tomada de decisão sobre os rumos da sociedade e a presença dominante do capital nas esferas de poder. A conjugação dessas dimensões afetam os valores humanos, sendo estes preteridos por valores antissociais tais como o a ganância, o individualismo, o consumismo e o egoísmo.

Assim, como a burguesia encontra dificuldades para construir saídas para esta situação crítica, as forças populares não conseguem apresentar um projeto alternativo de sociedade. Contudo, esse cenário desafiador, traz consigo a possibilidade de mudanças, tamanho o grau de instabilidade do sistema. Cabe a nós juventude em luta, construir um projeto de enfrentamento ao imperialismo e de superação da violência do capital. Em tempos de mudanças o que decide o rumo das sociedades é a capacidade de fazermos lutas de massas e desenvolvermos processos organizativos dos povos.

Diante da ofensiva do imperialismo mais do que nunca é fundamental a construção da solidariedade entre os povos. Nesse sentido a consolidação da articulação internacional Juventud en Lucha torna-se um imperativo. Se o nosso inimigo atua globalmente, não podemos resistir localmente, é preciso construir processos de luta que enfrentem o sistema em âmbito mundial.

Após compartilharmos nossas análises da realidade, experiências de luta e resistência, apontamos para as seguintes definições comuns:

Eixos de Luta:

  1. Contra degradação ambiental e da apropriação privada da natureza, em defesa dos territórios e dos bens comuns.
  2. Contra as guerras imperialistas e a exploração das empresas transnacionais, em defesa da soberania dos povos.
  3. Contra o extermínio da juventude (juvenicídio) e a militarização dos territórios, em defesa da vida.
  4. Contra a opressão à negros e negras, mulheres, LGBT´s, indígenas, em defesa da igualdade e da equidade. 
  5. Contra as politicas neoliberais, em defesa dos direitos sociais (educação, cultura, saúde, transporte, moradia, etc) e por um projeto politico construído pelo povo. 
  6. Contra a precarização e a super-exploração da força de trabalho da juventude, em defesa do trabalho digno, e pela construção de alternativas econômicas.
  7. Contra o monopólio das comunicações e da difusão cultural, em defesa da democratização das comunicações e valorização das culturas locais. 

Desafios Políticos:

  1. Devemos retomar o método do trabalho de base, para politizar, mobilizar e organizar o povo e a juventude. Devemos organizar a juventude da classe trabalhadora, que é o polo mais afetado pela ofensiva imperialista, e ao mesmo tempo o polo mais dinâmico da luta de classes;
  2. Em tempos de crise é urgente construirmos ferramentas para denunciar o projeto do inimigo e, ao mesmo tempo, anunciar o nosso, através da agitação e propaganda. Construindo novas formas de comunicação com o povo, a partir de nossa força criativa. Pois não basta apenas negar o projeto do inimigo, é preciso anunciar um novo projeto de sociedade;
  3. Avançar na formação política e ideológica da juventude, compreendendo que somente através da formação politica e ideológica asseguraremos maior firmeza no horizonte estratégico;
  4. É preciso impulsionar lutas de massas. São as mobilizações massivas que podem alterar a correlação de forças. Nossa força esta na quantidade de pessoas que organizamos e colocamos nas ruas. Se o inimigo se fortalece na concentração do capital, no oligopólio da mídia e no aparato militar, nós nos fortalecemos com o povo nas ruas.
  5. Construir unidade entre as forças populares, tanto nos nossos países como em âmbito internacional. Precisamos nos desafiar a construções unitárias. Não podemos alimentar nossas pequenas diferenças em detrimento da unidade. É preciso organizar os espaços unitários para que se fortaleça a luta contra o inimigo comum;
  6. Aproveitar a força criativa da juventude, para construir ferramentas inovadoras de organização deste segmento social, através de meios de comunicação popular, de métodos de organização e luta que dialoguem com a juventude.

Desafios organizativos:

Conformamos um coletivo de coordenação provisória para este processo de articulação, que contempla a diversidade das nossas organizações, com representação regional/continental.

Construção de uma dinâmica de organização que envolve três tarefas:

     1. Construir  Encontros nacionais até o final de 2016, buscando ampliar a participação de mais organizações que se identifiquem com esta Declaração Política;
     2. Construir reuniões regionais para organizar um Encontro regional até o final de 2017;
     3. Identificar um país e suas organizações que se disponham a receber o próximo Encontro Internacional da Juventude em Luta, e que tenha possibilidades de realizá-lo.

Luta:

 No dia 8 de outubro, data em que foi morto Che Guevara – lutador internacionalista que inspira a nossa geração -, convocaremos uma “Jornada Internacional da Juventude em Luta, contra a violência do capital”.

Viva a Juventude em Luta!

Fonte: MST - Brasil

Temas: Crisis capitalista / Alternativas de los pueblos, Defensa de los derechos de los pueblos y comunidades

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