Brasil: causa do problema no campo da especulação

Idioma Portugués
País Brasil

Por falta de levantamento preciso sobre o desaparecimento e de análises laboratoriais das abelhas e colméias, especialistas e produtores não descartam a hipótese de a Síndrome do Colapso das Colméias ter chegado ao país

- Mortes por falta de alimentos são normais. Aparentemente há algo mais acontecendo, talvez parecido com o caso dos Estados Unidos - afirma o professor do Laboratório de Entomologia Agrícola da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Afonso Orth.

A contaminação por um ácaro ou outro agente transmissor de um vírus estaria sendo facilitada por uma mudança de raça predominante nos apiários da região. A abelha africana (Apis mellifera scutellata), mais resistente, estaria perdendo espaço para as européias (Apis mellifera mellifera ou ligustica), vindas dos cultivos de países vizinhos como Argentina e Uruguai.

O processo reverteria a disseminação ocorrida na década de 1950, quando um pesquisador importou abelhas africanas para o Brasil. O objetivo dele era realizar cruzamento com os insetos italianos e alemães, até então predominantes. O experimento acabou saindo do controle do próprio pesquisador e, desde então, as africanas tomaram conta da apicultura brasileira.

No Rio Grande do Sul, pela maior proximidade com os países vizinhos, reversão semelhante estaria ocorrendo, como indica o pesquisador em abelhas e polinização da Embrapa, Luiz Fernando Wolff. Como ele relata, apicultores gaúchos também registram colapso de colméias e falam em prejuízos.

Além da maior suscetibilidade, a contaminação ocorreria por algum tipo de estresse que deixaria os insetos debilitados. Orth afirma que a alteração climática seria um fator a agir nesse sentido. Ele também destaca o uso do herbicida secante glifosato, que seria responsável pela redução da disponibilidade de alimento no campo.

Nenhuma dessas hipóteses, entretanto, podem ser indicadas como causas. Mas, conforme alerta o pesquisador, isso se deve à ausência de estudos sobre o caso. De acordo com ele, entidades públicas deveriam percorrer as regiões apícolas do Estado colhendo material para verificar se o que ocorre é apenas uma mortandade por falta de alimento ou algum tipo de doença.

Confirmando-se uma contaminação dos insetos, amostras deveriam ser encaminhadas para exame laboratorial.

Falta de levantamento agrava a situação

A falta de um procedimento desse tipo é a principal queixa do presidente da Federação das Associações de Apicultores de Santa Catarina (Faasc), Glaico José Sell. Sem um levantamento, a entidade é incapaz de indicar a dimensão do problema, o que, de acordo com Sell, torna a situação mais preocupante.

A ausência de explicações conclusivas também abre espaço para interpretações mais alarmistas. Entre elas, cita-se a uma frase atribuída a Albert Einstein . "Se as abelhas desaparecessem da face da Terra, o homem teria apenas quatro anos de vida".

A sentença, assim como a Síndrome do Colapso das Colméias, serviu de ilustração para o filme Fim dos Tempos (2008). Na história, o desaparecimento das abelhas é o primeiro indício da ocorrência de um fenômeno sem explicação e mortal à humanidade.

Diario Catarinense, Internet, 28-9-08

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