Acordo com a União Europeia é ‘neocolonial’ e ruim para o Mercosul, aponta ex-diretor do FMI

Para Paulo Nogueira Batista Jr, o Brasil deve evitar o avanço de outros pactos semelhantes.

Incentivado e celebrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o acordo entre  Mercosul e União Europeia pode não ser positivo para o Brasil, na avaliação do economista Paulo Nogueira Batista Jr, que foi vice-presidente do banco dos Brics e ex-diretor-executivo do FMI representando o Brasil e outros dez países. Para Batista Jr, o acerto coloca o Brasil em uma posição ruim perante os europeus.

“O acordo é um acordo de tipo neoliberal, ou até neocolonial. Ajuda a cristalizar a situação em que o Brasil exporta produtos primários para a União Europeia e importa produtos industrializados. O acordo é anti-industrial para o Brasil. Abre o mercado brasileiro em etapas, até a liberação completa em  termos tarifários às corporações europeias, principalmente alemãs, que são estruturalmente muito mais competitivas que nossas indústrias”, lamentou, durante entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta terça-feira (13).

Para o economista, a assinatura do termo entre os blocos se opõe à política de industrialização defendida pelo governo Lula e pode ter consequência em outros setores relevantes da economia do Brasil.

“É um acordo desindustrializante, e, além disso limita a margem de manobra em áreas outras, como contas governamentais, tributações de exportações críticas. É um acordo que não deveria ter sido concluído, pois partiu de um ponto de vista muito ruim, negociado pelo governo Bolsonaro. O governo Lula conseguiu fazer alguns ajustes pontuais, mas não mudou a essência neoliberal e neocolonial”, resumiu.

Batista Jr aponta que, no caso do acordo com a União Europeia, “Inês é morta” e não há o que fazer. Entretanto, defende que a postura seja diferente em negociações que seguem em andamento com outros países, incluindo nações da própria Europa que não fazem parte da União Europeia, além do Canadá e da Coreia do Sul, por exemplo.

“O que não é irreversível, mas está caminhando também é a negociação e assinatura de outros acordos do mesmo tipo, neoliberais. A maior parte deles iniciados nos governos Temer e Bolsonaro. Se continuar desse jeito, um dos legados do governo Lula para o Brasil, no médio e longo prazo, vai ser a inserção do país em uma teia de acordos de abertura da economia, quando essa abertura teria que ser seletiva, conduzida por nós, e não cristalizada em acordos internacionais”, alertou.

Apesar das críticas, o economista afirma que o momento é de defesa do governo e da candidatura de Lula à reeleição, dado que as alternativas que se apresentam fizeram questão de deixar claro que vão se curvar aos interesses estrangeiros.

“Mais que nunca, precisamos defender a candidatura de Lula. Fiz essas críticas, mas fundamentalmente, daqui até as eleições, o mais importante para o futuro do Brasil é que não se eleja um desses vassalos de Donald Trump. Vassalos atuais e que seriam vassalos na presidência. Aí estaríamos em uma situação muito pior que a de hoje”, disse, lembrando o artigo que publicou no Brasil de Fato:  Estamos correndo um risco existencial.

Fonte: Brasil de Fato

Temas: TLC y Tratados de inversión

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