Os desafios da juventude camponesa diante dos 30 Anos do Movimento dos Pequenos Agricultores
Na terça-feira (27/01), o programa TV MPA, em parceria com a TV Comunitária de Brasília, conduzido pelo jornalista Paulo Miranda, abordou os desafios enfrentados pela juventude camponesa. Para discutir o tema, o apresentador recebeu Soraya Souza, do MPA do Rio de Janeiro; Denis Teixeira, do MPA da Bahia; e Jerônimo Pereira dos Santos, também do MPA da Bahia.
Os convidados discutiram os principais obstáculos enfrentados pela juventude camponesa, a integração entre o campo e a cidade, a educação rural, a produção de alimentos agroecológicos, a soberania alimentar e as políticas públicas necessárias para manter a juventude no campo.
A militante do MPA do Rio de Janeiro Soraya Souza enfatiza que um dos principais focos de atuação do MPA é nas áreas urbanas. “Os moradores das cidades, especialmente os das periferias, desconhecem a quantidade de agrotóxicos que consomem ao longo da vida. Nesse contexto, o MPA busca promover a soberania alimentar”, destaca.
De acordo com Jerônimo Pereira, as batalhas e alianças conquistadas ao longo desses 30 anos reforçam a importância de os camponeses retornarem às suas origens, buscarem uma agricultura sustentável e pensarem no futuro de suas famílias.
“Esses 30 anos de representatividade do MPA simbolizam a agricultura do agricultor que trabalha no campo. O agricultor é aquele que constrói seus próprios meios de subsistência. Ele pode participar de greves, mas não passa fome. Portanto, são 30 anos de memória e luta”, enfatiza.
Segundo Denis Teixeira, foi por meio de organizações e acampamentos contra a seca que foram reivindicados créditos subsidiários e, a partir daí, iniciou-se uma luta para direcionar o olhar para a alimentação do país, em consonância com o público camponês, visando o abastecimento da população brasileira.
“Isso foi crucial para que hoje tenhamos políticas públicas como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e outras que subsidiam, minimamente, algumas políticas que chegam aos camponeses”, pontua.
Denis Teixeira relata que atualmente a juventude tem enfrentado dificuldades significativas no acesso à terra, o que é fundamental para a manutenção da classe camponesa.
“O bloqueio estrutural do acesso à terra é um desafio primordial para a permanência da juventude camponesa e do próprio campesinato. Estamos discutindo que, para preservar o campesinato, é necessário pensar em uma nova geração camponesa capaz de superar o capitalismo”, afirma.
Segundo Soraya Souza, a relação da juventude com a cidade está intrinsecamente ligada à questão alimentar. “O MPA busca evidenciar a deficiência da cidade no consumo de alimentos e, com isso, apresentar novas perspectivas de vida para a população, de modo que campo e cidade se unam em torno de um objetivo comum”, menciona.
O integrante do MPA da Bahia, Jerônimo Pereira, comenta que a sociedade é marcada por uma juventude que ainda sofre com o êxodo rural. “O MPA tem uma proposta específica para essa juventude, destacando que o campo é um local de produção de vida e também um espaço ampliado para o desenvolvimento de ciência, ideias e demonstração de produções”, observa.
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