TV MPA recebe dirigentes históricos para falar sobre os 30 Anos do Movimento dos Pequenos Agricultores
Com apresentação do coordenador nacional de comunicação do MPA, Valter Israel, o TV MPA recebeu Isabel Ramalho, Anderson Amaro e Plínio Simas, e contou com mensagem do Frei Sérgio Görgen. Foram 75 minutos de muito conteúdo sobre os 30 Anos do Movimento dos Pequenos Agricultores, das conquistas e resistências.
Logo na abertura do programa, Valter Israel falou dos 30 anos de história, marcados por intensa mobilização, luta, defesa da soberania alimentar, preservação das sementes crioulas e promoção da agroecologia e chamou roda vt com gravação de sete minutos do Frei Sérgio Görgen, que narra a história do nascimento do MPA.
Depois Isabel Ramalho lembra que o movimento social surge de uma necessidade concreta e, posteriormente, define suas estratégias. “Historicamente, a construção do movimento sindical em Rondônia já estava inserida na articulação da CUT. Vivíamos com a ausência de muitas políticas públicas no campo, e o movimento sindical foi esgotando sua capacidade de dar sequência a esse trabalho. Então, o MPA surgiu nesse momento, quando precisávamos de ajuda para resistir no campo rondoniense e amazônico”, explica.
De acordo com Anderson Amaro, assim como ocorreu em várias partes do país, o MPA surgiu em um momento de dificuldade no campesinato. “Estávamos carentes de organização e precisávamos de ajuda para lutar pelos direitos dos trabalhadores rurais que buscavam melhorias. O MPA nasceu com essa característica de luta, de estar presente nas ruas, de agir e, posteriormente, desdobrar suas ações”, afirma.
Plínio Simas relata que a realidade do povo no campo mudou significativamente nos 30 anos de existência do MPA. “Chegaram infraestrutura, seguro agrícola e habitação, conquistas importantes decorrentes da atuação do MPA, que posteriormente se estendeu a outras organizações no campo e em todos os estados. Assim, diversos programas foram implementados em todo o Brasil graças a esse movimento”, enfatiza.
Eu seu depoimento, o jornalista Paulo Miranda, um dos âncoras do TV MPA, parabenizou todos os membros do MPA pelos 30 anos de luta e resistência e ressaltou a importância de o conteúdo do movimento estar presente toda semana numa emissora de televisão para unir o campo e a cidade em torno da agroecologia. Ele lembrou que o auge das comemorações dos 30 anos será em maio, no encontro de mil militantes do MPA em Brasília.
HISTÓRIA
Fundado em 17 de janeiro de 1996, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) nasceu da necessidade urgente de organização das famílias camponesas diante do avanço do agronegócio, da concentração de terras e da exclusão histórica do povo do campo das políticas públicas. Em meio a um período de profundas transformações no meio rural brasileiro, agricultores e agricultoras decidiram se unir para defender seu modo de vida, sua cultura e seu direito de produzir alimentos para o povo.
Desde o início, o MPA construiu uma identidade própria, enraizada na agricultura camponesa, na solidariedade e na luta coletiva. O movimento organizou comunidades, promoveu mobilizações, ocupações, marchas e debates, sempre com um objetivo claro: garantir condições dignas de vida para quem vive e trabalha no campo, preservando a terra, a água, as sementes crioulas e os saberes tradicionais.
Ao longo dessas três décadas, o MPA se consolidou como uma das principais organizações do campesinato brasileiro. Suas lutas contribuíram para conquistas importantes, como o acesso ao crédito, políticas de fortalecimento da agricultura familiar, programas de compras institucionais de alimentos, além do reconhecimento da agroecologia como base de um projeto popular de produção de comida saudável.
O movimento também foi protagonista na construção da ideia de soberania alimentar, defendendo que o Brasil precisa produzir alimentos de qualidade para seu próprio povo, e não apenas commodities para exportação. Por meio de cooperativas, feiras e redes de comercialização, o MPA ajudou milhares de famílias a escoar sua produção, gerar renda e fortalecer as economias locais. Além disso, criou várias cozinhas solidárias e Restaurantes Raízes, espaço de cultura camponesa, produtos orgânicos e agroecológicos e alimentação saudável.
Mais do que produzir alimentos, o MPA sempre produziu consciência, organização e esperança. Investiu na formação política, na participação das mulheres, da juventude e na construção de uma nova relação entre sociedade e natureza, enfrentando o modelo predatório do agronegócio e defendendo um projeto popular para o campo brasileiro.
Em 2026, ao completar 30 anos de existência, o Movimento dos Pequenos Agricultores celebra uma trajetória marcada por resistência, coragem e compromisso com o povo. São três décadas de luta pela terra, pela vida, pela dignidade e pela soberania do Brasil. O MPA segue firme, renovando seus sonhos e sua organização, certo de que a agricultura camponesa é parte essencial do futuro do país.
Para o MPA, a agricultura camponesa é essencial para o mundo. Por isso, nestas três décadas de existência, sempre se manteve protagonista internacional junto à CLOC – Coordenadora Latino-americana de Organizações Camponesas e à Via Campesina, estando atualmente à frente da Coordenação-Geral da CLOC.
Criada entre 1989-1992, a CLOC é uma articulação continental que representa os movimentos camponeses, trabalhadores e trabalhadoras, indígenas e afrodescendentes de toda a América Latina e Caribe. Está presente em 20 países com mais de 88 organizações, uma força social e mobilizadora que luta por: reforma agrária integral e popular, soberania alimentar baseada na agroecologia, feminismo camponês e popular, formação política, ideológica e técnica para a juventude, solidariedade internacionalista e alianças com outros sectores e defesa dos direitos camponeses.
Já a Via Campesina, fundada em 1993, reúne mais de 200 milhões de camponeses, trabalhadores rurais sem terra, povos indígenas, pastores, pescadores, trabalhadores agrícolas migrantes, pequenos e médios agricultores, mulheres rurais e jovens camponeses de todo o mundo, em mais de 80 países.
MPA: 30 anos plantando luta, colhendo dignidade e construindo soberania.
Confira a íntegra do TV MPA especial de 30 Anos do MPA:
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