Brasil a ponto de liberar mosquitos transgênicos contra a dengue

Por AS-PTA
Idioma Portugués
País Brasil

Na semana que passou o Brasil esteve perto de ser o primeiro país do mundo a autorizar o uso comercial de mosquitos geneticamente modificados como suposto meio para e combater a dengue.

Suposto porque até o momento não foram apresentados resultados conclusivos dos milhões de Aedes aegypti transgênicos liberados experimentalmente sobre a população da periferia de Juazeiro, Bahia. Aliás, pelo menos para aquele local pode-se afirmar que é tarde para qualquer preocupação quanto aos riscos. Esperemos que eles não existam.

 

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio está dividida em duas subcomissões. Na setorial de saúde humana e animal o pedido da empresa Moscamed com a inglesa Oxitec e a Universidade de São Paulo foi aprovado mesmo antes do encerramento das pesquisas. Resultados preliminares, aparentemente não referendados pela CTNBio, foram entendidos como suficientes. Deve-se destacar que essas liberações experimentais no meio ambiente são indispensáveis para a elaboração de um pedido de liberação comercial de qualquer organismo geneticamente modificado, segundo a lei de biossegurança. No caso dos mosquitos trata-se de apenas dois experimentos ainda não concluídos e, portanto, sem resultados conclusivos.

 

Para além da ausência dos dados também merece destaque o fato de que os membros da CTNBio que elaboraram o parecer pela aprovação não estavam presentes na reunião para responder perguntas dos colegas que não visitaram o local ou que não tiveram acesso aos documentos da pesquisa. As questões de outros integrantes da setorial foram respondidas por representante da empresa que assistia a reunião. A convite da coordenadora da sessão e à revelia das normas da casa o representante da empresa tomou o microfone para esclarecer dúvidas, defendendo sua mercadoria. Depois de suas falas, atestando a excelência e segurança do produto, salvo uma abstenção, os componentes da subcomissão decidiram pela aprovação.

 

Quando a liberação experimental estava sendo avaliada, um integrante da comissão emitiu parecer contrário ao pedido alertando para o fato de que a presença de tetraciclina (antibiótico muito utilizado em criações animais) no meio ambiente elimina o sistema de controle para a multiplicação dos mosquitos transgênicos, permitindo que mosquitos fêmeas também sobrevivam, entrem em contato e piquem a população local, e não só os machos, que (além de não picarem pessoas) são estéreis e teriam a função de cruzar com fêmeas nativas, evitando a geração de prole.

 

Já na outra setorial, formada pelas subcomissões Ambiental e Vegetal, o pedido não foi aprovado. Após debate, os membros se dividiram entre aqueles que consideravam necessária a apresentação dos relatórios das avaliações de campo e aqueles que pretendiam votar a liberação comercial. Após a votação (7 x 7, com abstenção do presidente), o processo foi retirado de pauta. Como um processo de liberação comercial só vai à votação em plenária após passar pelas duas subcomissões, a questão voltará em março.

 

É interessante observar que o representante do Ministério da Saúde votou a favor da liberação mas não soube explicar qual a posição do órgão que ali representa em relação ao mosquito transgênico como estratégia para combate à dengue. Ficou de levar a informação na próxima reunião da comissão.

 

Fuente: AS-PTA

Temas: Transgénicos

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