Redução da biodiversidade vai afectar os mais pobres

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A diminuição da biodiversidade pode reduzir para metade os recursos das populações mais pobres do mundo. Esta é a mais importante conclusão do estudo que foi tornado público na conferência do Bona, e que também prevê uma descida de sete por cento no PIB mundial até 2050 causado pela degradação da natureza

“Valores de seis ou oito por cento do PIB global aparecem quando se pensa nos benefícios que os ecossistemas intactos trazem no controlo das águas, das cheias e secas e no movimento dos nutrientes das florestas para os campos de cultivo”, explicou à BBC News Pavan Sukhdev, líder do projecto.

A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (EEB) é o título do estudo que foi programado pelo governo alemão e pela Comissão Europeia durante a presidência alemã do G8. Foi feito por e para economistas e apostou-se na mesma perspectiva que se utilizou para o Estudo de Stern sobre as alterações climáticas.

O estrago das florestas, dos rios, e da vida marinha são alguns dos problemas detectados. “Apercebemo-nos que os maiores beneficiários [da natureza] são cerca de 1500 milhões da população do mundo que é considerada pobre. Estes sistemas naturais são cerca de 40 a 50 por cento daquilo que é definido como o “PIB dos pobres””, diz Sukhdev, que é o director executivo na divisão de mercados globais do Banco Alemão.

Contabilizar a biodiversidade

A informação do relatório é provisória e avisa que os custos reais não estão quantificados, os sete por cento são baseados quase unicamente na perda das florestas. Conhecem-se as tendências: nos últimos 100 anos houve uma diminuição de 50 por cento dos terrenos húmidos como os pântanos, a rapidez com que as espécies estão a desaparecer é entre 100 e 1000 vezes superior ao que seria normal num mundo sem pessoas. Está-se a testemunhar um rápido declínio nos “stocks” de peixes e um terço dos recifes de coral estão danificados. Mas é muito mais difícil transformar estas perdas em dinheiro de que quando se estuda por exemplo o impacto das alterações climáticas.

O documento que saiu da reunião dos ministros do ambiente do G8, na reunião que houve no Japão na semana passada, diz que “a biodiversidade é a base da segurança da humanidade e a sua perda exacerba a desigualdade e a instabilidade na sociedade humana”.

Os objectivos que os signatários da CBD determinaram no encontro do Rio em 1992 – travar e reverter a perda de biodiversidade até 2010, não vão ser cumpridos.

A versão preliminar do relatório que a BBC News teve acesso conclui que da seguinte forma: “As lições aprendidas nos últimos 100 anos demonstram que a humanidade actua normalmente demasiado tarde e com pouca força relativamente a ameaças similares – o amianto, os CFCs, a chuva ácida, a diminuição dos "stocks" de pesca, a BSE e – mais recentemente – as alterações climáticas”. Espera-se que este relatório obrigue os governos a reagir.

Público, Portugal, 29-5-08

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