Ato de Abertura recebe lideranças políticas e populares com objetivo de avançar na Reforma Agrária

Idioma Portugués
País Brasil
Ministro del MDA, Paulo Teixeira. Foto: Priscila Ramos/MST

A combinação entre ocupação de terras, desapropriações de terras, políticas públicas e produção de alimentos saudáveis é destaque nas falas que abrem as atividades políticas da 5ª Feira Nacional.

“A Feira não é do MST, é patrimônio da classe trabalhadora”. Com essas boas-vindas, Gilmar Mauro, integrante da Direção Nacional do MST, saudou todos os aliados, apoiadores e presentes no Ato Político de abertura da 5ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que aconteceu nesta quinta-feira (8), no Parque da Água Branca, em São Paulo. O local é sede do evento que completa dez anos e te previsão de receber mais de 300 mil pessoas entre os dias 8 e 11 de maio, se tornando um dos maiores eventos da Reforma Agrária Popular do Brasil.

Em sua fala, o dirigente nacional do Movimento destacou a combinação entre a ocupação de terras e a produção de alimentos hoje presente na feira.

"Para ter feira, precisou ter assentamento; e para ter assentamento, precisou ter ocupação de terra".

 Essas dimensões que fazem parte do projeto da Reforma Agrária Popular, segundo Mauro, também se relacionam com a agroecologia, a agrofloresta, arte, cultura, educação, ciência, tecnologia, plantio de árvores, entre outras.

Foto: Priscila Ramos/MST

“Fazemos essa feira por meio da unidade, respeitando a diversidade cultural do nosso povo, e quando se estabelece uma linha política, vamos massificar, e todo o MST se envolve nisso”, explicou o dirigente sobre o método pelo qual foi construído o evento. Ele também salientou a importância das parcerias e alianças ao longo dessa construção e da própria trajetória do Movimento. “A Reforma Agrária não depende só do MST e do governo, ela depende da alteração da correlação de forças políticas no país e da classe trabalhadora organizada”.

A solidariedade foi destaque na intervenção dessa liderança Sem Terra, que falou sobre sua importância ativa que marcou o período da pandemia, mas que é emblemática da atuação do Movimento e também nesses dias de feira nacional. Ao redor de 25 toneladas de alimentos serão distribuídas para cerca de 50 entidades de São Paulo, no Ato: MST Cultivando a Solidariedade, a ser realizado às 16h30, nesta sexta-feira (9), no Auditório Paulinho Nogueira, no Parque da Água Branca.

"Distribuir comida é plantar solidariedade", enfatizou Mauro.

Gilmar Mauro. Foto: Elitiel Guedes

A solidariedade internacional e as brigadas do MST em outros países, como Venezuela, Cuba, Haiti, Palestina e Zâmbia, também são um marco dessa agenda. “Ao fazer isso [enviar brigadas], nós não estamos ajudando esses povos, mas estamos ajudando a nós mesmos. Nós nos fazemos ao fazermos as coisas, e é isso que faz essa organização e essa festa, essa feira”.

Para finalizar, Gilmar Mauro celebrou: “É uma alegria imensa tê-los e tê-las conosco na nossa feira. A solidariedade de vocês aqui ou em qualquer acampamento desse país faz com que essa organização seja uma das mais longevas do campesinato brasileiro. A feira é vossa, a feira é nossa, é hora de festejar!”

Compromisso do governo com a Reforma Agrária

A importância da 5ª Feira Nacional da Reforma Agrária, da luta pela terra e da produção de alimentos foram ressaltadas pelo ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), no Ato Político de abertura.

"Essa Feira demonstra a força da Reforma Agrária. Ela tem um painel alimentar de mais de 1 mil alimentos que são produzidos em áreas da Reforma Agrária e consumidos pelo povo brasileiro. Ela demonstra que o desafio de alimentar o povo brasileiro é o de não parar a Reforma Agrária".

A Feira Nacional chega à sua quinta edição completando dez anos de realização. Ela é tida como um símbolo importante para apresentar que o caminho de construção da Reforma Agrária é trilhado pelos pequenos agricultores, em um projeto contrário ao latifúndio, como argumentou o ministro do MDA. “A elite brasileira quer o latifúndio como forma de se manter no poder e não quer fazer a Reforma Agrária para não incluir a população que sempre foi excluída desde a abolição da escravatura".

Foto: Priscila Ramos/MST

Em sua fala, Teixeira declarou o compromisso do governo Lula com a Reforma Agrária, que nos próximos meses, segundo o ministro, pretende promover a assinatura de acordos e de desapropriação de áreas em diversos estados do Brasil, além de garantir programas para o acesso à terra, crédito, assistência técnica e extensão rural, e compras públicas.

Destacando que a vitória só é conquistada por meio da luta, ele afirmou que a pressão que o Movimento faz em direção ao MDA é parte da luta política. "Movimento que não faz pressão é pelego, movimento tem que fazer a luta para garantir seus direitos”. Nesse sentido, Teixeira saudou todos os trabalhadores rurais organizados no MST: “Vocês são fundamentais para o país. A luta, a organização, a independência e a autonomia dos movimentos sociais são fundamentais para um país tão desigual como o Brasil".

Apoios e saudações ao MST

Diversos parlamentares, membros de órgãos públicos, professores universitários, entre outros apoiadores da luta pela Reforma Agrária, estiveram presentes no Ato de Abertura. Que lotou o auditório Paulinho Nogueira, no Parque da Água Branca.

Para César Aldrighi, presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), “essa feira é a extensão da luta pela terra, que ensina ao governo e ao Brasil a importância da Reforma Agrária”.

“Mais de 190 cooperativas do MST puderam fazer parte desse espaço que está na raiz do povo brasileiro: de encontro do campo e da cidade, troca saberes e experiências e que materializa a luta do produtor rural que ocupou a terra e agora produz nela, que a transforma por meio da produção”, disse.

Aldrighi também destacou que a o compromisso do Incra junto ao MST é o de promover o acesso à terra e à produção de alimentos.

"Não é possível produzir alimentos saudáveis, diminuir a inflação e acabar com as desigualdades desse país sem a Reforma Agrária".

O senador (PT-PE) Humberto Costa foi um dos parlamentares presentes na atividade e enfatizou a importância na Reforma Agrária na produção de alimentos. “A ampla compreensão da luta pela Reforma Agrária no Brasil passa pela população ter acesso a alimentos saudáveis e de qualidade. E é isso o que o MST tem feito. A feira é a demonstração disso, de dar uma grande contribuição para alimentar o país”, defendeu.

Ecoando a fala da solidariedade internacional trazida por Gilmar Mauro, o embaixador da Venezuela no Brasil, Manuel Vadel, destacou a relação entre o Movimento e a Pátria Bolivariana. “O MST e a Venezuela tem uma relação de irmandade. Há mais de 20 anos, o presidente Chávez já sinalizava sua admiração pelo Movimento, fruto disso houve a iniciativa de cooperação entre a Venezuela com um assentamento de Tapes, no Rio Grande do Sul, dentre outras parcerias. “Nós, como povo venezuelano somos muito agradecidos e felizes por essa irmandade incondicional”.

As felicitações pela Feira Nacional e a sua realização foram levantadas por vozes como a do ministro do MDA e de muitos mais: “Viva a luta pela Reforma Agrária, viva o MST, viva a Feira, que a cada dia será maior!”

- Editado por Solange Engelmann.

Fonte: MST - Brasil

Temas: Movimientos campesinos, Tierra, territorio y bienes comunes

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