Brasil: Água e energia, direitos da cidadania

Por MAB
Idioma Portugués
País Brasil

De 1 a 5 de outubro deste ano, o Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza, no Rio, seu 8º. encontro nacional. O tema, “Água e energia com soberania, distribuição de riqueza e controle popular”.

Do encontro participarão também a Plataforma Operária e Camponesa de Energia, Via Campesina, Frente Brasil Popular, Movimentos de Afetados por Represas (MAR) e entidades internacionais. O objetivo é formular as bases de um projeto energético popular.

Países ricos, como EUA, China, Alemanha e Inglaterra, altamente dependentes de energia, possuem reservas insuficientes, o que os motiva a tentar controlar as reservas estratégicas de países periféricos. O Brasil é alvo prioritário por deter potencial energético de grande qualidade e quantidade, como o pré-sal e a hidroeletricidade.

Há décadas, governo a governo, nosso país abre mão de sua soberania energética. Hoje, a indústria de produção e distribuição de energia se encontra em mãos do capital privado. Hidrelétricas, linhas de transmissão e distribuidoras pertencem ao capital transnacional, sendo a Petrobras uma exceção.

Embora a maior parte da energia do Brasil seja fornecida por hidrelétricas, consideradas de baixo custo de produção, o brasileiro paga uma das contas de luz mais caras do mundo. Há, porém, grandes empresas consumidoras que têm tratamento especial. A Samarco, por exemplo, responsável pelo crime socioambiental de Mariana (e ainda impune), recebe energia a preço de custo, o que equivale a dez vezes menos do que paga uma família pelo consumo da mesma quantidade de quilowatts. E tudo isso é controlado pelo Estado, a serviço do grande capital, através da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sem nenhuma participação popular.

O apetite das empresas transnacionais por nosso potencial energético impõe ao governo afrouxar o licenciamento ambiental, permitir a construção de hidrelétricas em áreas indígenas e forçar o deslocamento predatório das populações ribeirinhas.

A soberania energética do Brasil vem sendo substituída pelo conceito de “segurança energética”, ainda que se paguem valores exorbitantes às empresas controladoras. Os trabalhadores do setor são terceirizados e precarizados pela reforma trabalhista do governo Temer, e seus movimentos sofrem criminalização, enquanto a população arca com o aumento das tarifas, do gás de cozinha e dos combustíveis de veículos.

O encontro nacional do MAB visa a reforçar a luta pela soberania energética do Brasil; pelo controle popular sobre o planejamento e execução do setor; e pela adequada destinação da riqueza por ele gerada, de modo a garantir os direitos dos atingidos por barragens e melhor qualidade de vida aos trabalhadores.

Água e energia são bens essenciais à vida humana e planetária, e não podem ser consideradas meras mercadorias. Portanto, deveriam estar excluídos do direito de apropriação privada.

Há que pressionar o governo para que os recursos do pré-sal sejam aplicados em saúde e educação, geração de empregos e garantia de direitos da cidadania.

Fuente: Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

Temas: Extractivismo

Notas relacionadas:

Pax Silica: más guerra, explotación y dependencia

Pax Silica: más guerra, explotación y dependencia

La explotación ilegal de mercurio en México es una de las industrias donde incurrió el Cártel Jalisco Nueva Generación. Foto: cortesía Alejandro Saldívar

Minería, tala, aguacate y narcolaboratorios: las industrias contaminantes que el Cártel de Jalisco Nueva Generación expandió bajo el mando de «El M...

El Fracking es la apuesta de Sheibaum para lograr soberanía energética; investigadores refutan decisión

El Fracking es la apuesta de Sheibaum para lograr soberanía energética; investigadores refutan decisión

El Estado español invierte cuatro veces más en destruir la naturaleza que en cuidarla

El Estado español invierte cuatro veces más en destruir la naturaleza que en cuidarla

Comentarios