CTNBio adia avaliação sobre liberação comercial do trigo transgênico

Idioma Portugués
País Brasil

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) adiou a análise sobre liberação comercial e de importação do trigo transgênico. A avaliação estava na agenda do órgão nesta quinta-feira (10). A previsão é que o item volte à pauta da reunião de 5 de agosto. A subcomissão setorial permanente das áreas vegetal e ambiental ainda não decidiu a respeito, o que deve acontecer em 4 de agosto. 

De acordo com informe divulgado logo após o fim da reunião, é preciso tempo para a obtenção de mais informações junto à empresa argentina Bioceres. Isso porque foi em seus laboratórios que o trigo HB4 foi geneticamente modificado para sobreviver a doses cada vez maiores do agrotóxico glufosinato de amônio.

“O fato de a CTNBio solicitar informações adicionais da empresa requerente demonstra a importância do alerta de cientistas, pesquisadores, consumidores e organizações, que evidenciaram as incongruências apresentadas no dossiê e as informações relatadas pelas empresas na audiência pública realizada em outubro de 2020”, disse a assessora jurídica da organização Terra de Direitos Naiara Bittencourt, que integra a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Trigo transgênico e alergias

Na única audiência pública realizada em 22 de outubro passado pelo órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), especialistas advertiram sobre diversos problemas no estudo apresentado pela empresa.

Segundo eles, os testes para detectar a capacidade de esse trigo causar alergias têm falhas metodológicas. Além disso, faltam estudos de longa duração envolvendo cobaias. O único apresentado foi feito ao longo de apenas duas semanas. Também não foram feitas autópsias para identificar a causa da morte dos animais envolvidos. Ou seja, não se pode afirmar que esse trigo transgênico não vai causar graves danos à saúde e ao meio ambiente.

A Bioceres têm enfatizado a característica do trigo transgênico de resistir ao período menos chuvoso. Por outro lado, quase nada fala sobre o fato de a planta ser resistente ao glufosinato de amônio.

Resíduos de agrotóxicos no pão

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), esse agrotóxico é 15 vezes mais tóxico do que o glifosato, alvo de ações na Justiça dos Estados Unidos por causar câncer. Se a CTNBio der sinal verde à planta, sua produção receberá altas doses do glufosinato, cujos resíduos ficarão no próprio cereal, na farinha, nos pães, massas, biscoitos, pizzas e todos os derivados.

Historicamente, a comissão praticamente aprovou todos os pedidos de liberação de transgênicos e desprezou a opinião de consumidores, especialistas e ambientalistas. Mas desta vez há uma diferença: todo o setor da moagem do cereal no Brasil é contrário à liberação. E a indústria de produtos derivados também.

Fonte: Rede Brasil Atual

Temas: Agronegocio, Salud, Transgénicos

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