Campanha de solidariedade envia primeiro carregamento de medicamentos à Cuba

Idioma Portugués
País Brasil, Cuba

Medicamentos prioritários irão abastecer hospitais com falta de remédios para a população da província de Santiago, afetada pela passagem do furacão Melissa.

A Campanha de Solidariedade à Cuba, coordenada pelo Movimento Sem Terra, logrou um avanço importante no último dia 11 de fevereiro, ao enviar o primeiro carregamento com 1.700 quilos de medicamentos, com diversos tipos prioritários para a ilha socialista. Os medicamentos foram adquiridos a partir da arrecadação de fundos da campanha que teve início, em outubro do ano passado, e se enquadram em uma lista de produtos do Ministério de Saúde de Cuba, com maior escassez para o atendimento da população.

A campanha é permanente, tendo em vista que o bloqueio dos Estados Unidos contra o país caribenho também é permanente e tem se tornado cada vez mais rígido nos últimos anos, principalmente com as últimas medidas do presidente Donald Trump, de ataque ao setor energético. Com o lema Cuba vive e resiste! o objetivo central da campanha é arrecadar recursos para a compra de medicamentos que serão enviados ao país.

O sistema de saúde da ilha tem sido um dos mais impactados pelo bloqueio dos Estados Unidos que já dura mais de 60 anos, estrangulando a economia e, principalmente, os serviços públicos. Com o bloqueio o governo cubano está proibido, pelos EUA, de importar diversos produtos, entre eles medicamentos e tecnologias médicas e de outras áreas, o que afeta diretamente a população com a falta de remédios básicos nas farmácias e hospitais, além do ataque ao direito humano de acesso à saúde pública, praticado pela revolução cubana.

Messilene Gorete, do setor internacionalista do MST, explica que a campanha é um gesto humanitário da classe trabalhadora do Brasil que busca prestar solidariedade à Cuba de forma mais concreta. “O setor de saúde é um dos mais afetados pelo bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Tem um processo de asfixia de todo o sistema econômico e de algumas frentes estratégicas, entre elas a saúde. Por isso, vamos seguir fortalecendo a campanha para enviar medicamentos a Cuba. Ela é prioritária e um dos pilares da nossa prática de solidariedade ao povo cubano”.

Os medicamentos foram doados pela campanha diretamente ao Ministério da Saúde do país. Segundo o representante da brigada do MST em Cuba, Marcelo Durão, a previsão é de que estes medicamentos sejam distribuídos para os hospitais da província de Santiago. A região foi diretamente afetada pela passagem do furacão Melissa, que atingiu Cuba na madrugada de 29 de outubro do ano passado e, conforme o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês), foi considerado um dos furacões mais fortes do Atlântico já registrados na história.

A campanha tem enorme importância porque visa suprir a necessidade de medicamentos gerado pelo bloqueio que impede Cuba de obter as matérias primas para a produção destes medicamentos”, complementa Durão.

Ataque ao direito à saúde pública

Como a revolução cubana trata as políticas de estado como prioridade, buscando garantir o acesso público e gratuito de toda a população à saúde, educação entre outros serviços, o impedimento por parte do bloqueio do EUA ao proibir a importação de medicamentos e equipamento médicos se traduz no ataque a esse direito humano da população. Ao mesmo tempo, busca desmontar o exemplo exitoso da saúde pública preventiva em Cuba, reconhecida no mundo pelos elevados índices, que já salvaram milhares de cubano e de populações de outros país, a partir do trabalho dos médicos cubano em missões internacionais.

No Brasil, temos o exemplo do envolvimento dos médicos cubanos no programa Mais Médicos do governo federal, com alta avaliação popular ao disponibilizar profissionais de saúde básica para mais de 4 mil municípios brasileiros e ao ter beneficiado, desde a criação, em 2013, mais de 66,6 milhões de pessoas. Os dados são do Ministério da Saúde.

Os cubanos representaram, até 2018, a maioria dos médicos do programa. Atualmente, eles são 10% dos mais de 26 mil profissionais que atuam no Mais Médicos em todo o país. No total, atualmente Cuba conta com 24 mil médicos, em 56 países. Nas áreas rurais e em assentamentos da Reforma Agrária por todo o país, os médicos cubanos têm sido fundamentais para garantir o direito dos camponeses/as e trabalhadores/as rurais à saúde pública básica.

Como funciona a campanha?

Com o intuito de salvar vidas e prestar solidariedade a um povo, que resiste há mais de seis décadas ao bloqueio estadunidense contra Cuba, a campanha conta com o apoio de vários movimentos populares brasileiros, além de intelectuais, apoiadores, personalidades como Frei Betto, Fernando de Moraes, Celinha Cota e parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

A arrecadação de fundos para a campanha funciona a partir da solicitação de apoio de, no mínimo, R$ 200,00. Esse recurso vai para uma conta de um parceiro do MST, o Instituto Cultivar e, em seguida, o Instituto realiza a compra e o envio dos medicamentos via aérea a Cuba. A doação pode ser feita por PIX.

Messilene explica que a campanha não se encerra no envio dos medicamentos, a partir da arrecadação de fundos. “Nós também motivamos as pessoas que querem doar medicamentos, mas a gente orienta sobretudo o fundo, porque a gente compra os medicamentos sem correr o risco de estarem próximos do vencimento. Compramos eles poucos dias antes do embarque, essa é a forma que a gente tem trabalhado concretamente com a campanha”, ressalta.

Estrangulamento energético contra Cuba

No último dia 29 de janeiro, Donald Trump, presidente dos EUA, voltou a impor novas sanções contra Cuba, agora na área energética declarando “emergência nacional” e acusando o país de representar uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos. Na prática, os EUA pretendem impor novas tarifas a países com interesse em vender petróleo à ilha, buscando asfixiar também o fornecimento energético da ilha.

Os movimentos populares, centrais sindicais e partidos políticos cobraram a solidariedade do governo brasileiro e da comunidade internacional a  Cuba quanto aos novos ataques estadunidenses. O texto também cobra do Governo Lula a formação de uma “ampla rede de apoio” à ilha. 

Além do envio de medicamentos, o Movimento está se somando a outras organizações brasileiras em outra campanha mais ampla para pressionar o governo brasileiro a realizar o envio de petróleo a Cuba, por ser uma urgência para a sobrevivência da população cubana e o funcionamento de serviços básicos.

“Isso significa uma pane no sistema elétrico de Cuba, porque necessita de petróleo para gerar energia e ao mesmo tempo, em todo o sistema de transporte que tem uma escassez de combustíveis. Nesse sentido, nós do MST nos somamos às organizações brasileiras para pressionar o governo brasileiro a mandar petróleo para Cuba”, resume Messilene.

O MST também pressiona o governo brasileiro a enviar por meio da Companhia de Abastecimento (Conab) comida e insumos agrícolas para a ilha, para aliviar a falta de alimentos e produtos agrícolas, que o povo cubano vem enfrentando nos últimos tempos.

“Comida significa dizer leite, arroz, feijão e tudo de que se precisa hoje em Cuba de urgência para atender à necessidade do povo cubano, privado de acessar por forma de importação, mas também privado de produzir porque não pode importar insumos agrícolas e combustível para desenvolvimento da indústria e de outras forças produtivas necessárias hoje em Cuba. É urgente esse apoio do governo brasileiro”, finaliza Messilene.

Informações para doação (PIX):

CNPJ: 11.586.301/0001-65
Instituto Cultivar
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1231 | Operação: 1292
Conta Corrente: 000577559399-1

-Editado por Fernanda Alcântara.

Fonte: MST - Brasil

Temas: Criminalización de la protesta social / Derechos humanos, Movimientos campesinos, Salud

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