Camponeses e camponesas de todo o Brasil se preparam para o 4º Encontro Nacional do MPA em plenária virtual histórica

Por MPA
Idioma Portugués
País Brasil

Mais de 200 agricultores e agricultoras participaram de live de preparação, que celebrou os 30 anos do movimento e anunciou Festival Cultural e Feira Camponesa em Brasília.

Depois de um longo dia na lida da roça, de enfrentar o sol, a terra e as articulações políticas para garantir a participação no maior encontro de sua história, camponeses e camponesas de todos os recantos do Brasil se reuniram virtualmente na noite desta quarta-feira, 29 de abril, para afinar os preparativos para o 4º Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) que acontecerá em Brasília (DF) entre os dias 11 a 14 de maio de 2026. Eram mais de 200 telas acesas, cada uma trazendo um pedaço do Brasil real: da Amazônia ao Pampa, do sertão do Semiárido às águas do Cerrado.

A abertura veio com mística, celebrando a importância da afirmação do campesinato para a soberania alimentar em um ano especial: o MPA completa 30 anos de luta, resistência e construção de um novo horizonte para o povo do campo.

“Decretamos um novo recomeço”

Anderson Amaro, liderança do movimento, fez uma breve análise do momento histórico que o MPA ousa atravessar. Ele recordou as origens: “O MPA nasceu em um momento em que o neoliberalismo avançava e decretava o fim do campesinato. Mas nós decretamos um novo recomeço, uma nova forma de organização.”

Com voz firme, Anderson listou as conquistas que vieram com essa aposta: “Mais dignidade para o povo camponês, direito à moradia, acesso à terra, ao crédito. Levantamos a bandeira da soberania alimentar, uma bandeira histórica do movimento, forjada na solidariedade internacional.”

Ele alertou para a gravidade do momento presente: “Estamos vivendo uma crise humanitária. O imperialismo tenta dominar nosso modo de vida. É momento de afirmarmos neste grande encontro as nossas bandeiras de luta e entendermos melhor os desafios atuais.”

Para Anderson, o 4º Encontro Nacional não é apenas mais uma reunião, é a afirmação de um novo ciclo: “Como vamos ampliar nossa contribuição na luta popular? Vivemos altos e baixos na história do campesinato, momentos de ascenso e descenso. Aprendemos a ser resilientes e, sobretudo, a exercer nossa unidade. No momento de crise, se desvela a necessidade de uma unidade na prática, não só interna, mas com os demais sujeitos que têm bandeiras em comum.” 

Festival Cultural e Feira Camponesa: a alma do encontro

 

Um dos momentos mais aplaudidos da plenária, ainda que virtualmente, foi o anúncio que promete fazer do 4º Encontro Nacional um grande arrastão de cultura, sabor e alegria: o Festival Cultural e a Feira Camponesa serão realizados em Brasília, revelando o que há de mais bonito no campesinato brasileiro.

E a diversidade começou a ser anunciada ainda no bate-papo da live. Uma companheira da região amazônica escreveu, em um misto de entusiasmo e convite: “Vai ter castanha, chocolate artesanal, óleo de andiroba…” Mostrando, em poucas palavras, a imensidão de sabores e saberes que só os povos do campo, das águas e das florestas podem oferecer.

Do outro lado do país, uma companheira da ciranda compartilhou a ansiedade dos pequenos: “As crianças animadas e cheias de alegria para se encontrarem.” E do sertão do Araripe, em Pernambuco, veio mais uma promessa de festa: “Vai ter cachaça raizada, doce de umbu, sementes e mais gostosuras.”

Poesia, música e a força das regiões

Francisca Souza, do MPA no Piauí, durante o informe da região Nordeste, uma das etapas em que todas as regiões do país socializaram seus processos de construção para o encontro — emocionou os participantes ao recitar a poesia “Camponês em Produção”, de Céu Santana. Os versos ecoaram como um manifesto:

“Somos Camponeses, filhas e filhos da Mãe Terra,

Somos semeadores da vida em natureza plena,

Somos Guardiãs e guardiões das sementes do amanhã

E no hoje somos fortes combatentes,

Pois ela não cabe em nossas mesas,

Nem tão pouco em nosso planeta.”

E completou, em uma síntese perfeita da trajetória do movimento:

“A luta tem cheiro de terra molhada,

Que oxigena nosso sangue,

Embriaga nossa Alma,

Nas conquistas das organizações.

No Movimento dos Pequenos Agricultores,

Tudo vai se concretizando,

E o Plano Camponês soa como ferramenta,

Que prepara a Mãe Terra, pra Semente receber.”

Do Paraná, Filomena Zamponi iniciou seu informe ao som de “Pequeno Gigante”, do Antônio Gringo, atração cultural confirmada para o Festival, uma homenagem musical à força desproporcional que carregam aqueles e aquelas que, do pequeno pedaço de chão, alimentam o país.

“Marchar até conquistar o mundo que estamos construindo”

A plenária foi se encaminhando para o fim, mas não sem deixar uma última chama acesa. Denilva Araújo resumiu o espírito do que está por vir: “Temos de marchar até que a gente conquiste o mundo que estamos construindo, com mesa farta e dignidade para o povo.”

E foi com essa certeza que as mais de 200 pessoas se despediram virtualmente, prometendo se encontrar presencialmente em Brasília. O 4º Encontro Nacional do MPA está chegando. E promete ser, como disse uma camponesa no chat, “o reencontro da terra com a esperança”.

Serviço: O 4º Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores será realizado em Brasília (DF). A programação incluirá o Festival Cultural e a Feira Camponesa, com exposição e comercialização de produtos da sociobiodiversidade, apresentações artísticas e momentos de formação política. Mais informações nas redes e canais oficiais do MPA.

Fuente:  Movimento dos Pequenos Agricultores

Temas: Agricultura campesina y prácticas tradicionales, Movimientos campesinos

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