MST conquista terra e terá assentamento Ana Paula e Aldecir no Sertão da PB

Idioma Portugués
País Brasil

Após anos de conflito e resistência, o MST conquistou uma área para reforma agrária no Sertão da Paraíba, criando o assentamento Ana Paula e Aldecir, que abrigará famílias Sem Terra.

A luta pela terra no Sertão da Paraíba cobrou um alto preço de nosso Movimento, mas a resistência de nossos companheiros e companheiras garantiu mais uma conquista para a Reforma Agrária Popular. Após anos de conflitos, perseguições e ameaças por parte de grileiros, a área de aproximadamente 58 hectares, chamada de Quilombo do Livramento, localizada na zona rural do município de Princesa Isabel, será destinada ao assentamento de famílias Sem Terra.

A área, que pertencia ao Instituto Federal da Paraíba (IFPB), estava há pelo menos uma década em disputa entre trabalhadores rurais e grileiros. Em um passo importante para a justiça social e a reparação histórica, a Superintendência do Patrimônio da União (SPU), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o próprio IFPB firmaram uma parceria para garantir que essas terras cumpram sua função social.

O assentamento beneficiará 22 famílias do acampamento Ana Paula e Aldecir, nome escolhido em homenagem aos companheiros brutalmente assassinados no dia 11 de novembro de 2023. A entrega oficial do patrimônio ao INCRA aconteceu na última sexta-feira (7), consolidando essa importante vitória. No futuro, o local será reconhecido como Assentamento Aldecir e Ana Paula, simbolizando a resistência e a luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais pela terra.

“Mesmo sendo uma propriedade pequena, sua simbologia é muito grande, tanto pela resistência das famílias naquela área quanto pela perda de dois companheiros, Ana Paula e Aldecir. Infelizmente, foi preciso perder duas vidas para que o governo resolvesse a situação. Agora, com a área destinada a um projeto de assentamento, temos a possibilidade de criar um grande assentamento, mesmo em uma área pequena, mas com uma proposta diferenciada, baseada no trabalho coletivo e na produção. Para nós do MST, essa é uma grande conquista”, afirma Paulo Sérgio, Dirigente da Frente de Massa do MST no estado.

A conquista dessa área representa mais do que o direito à terra para as famílias Sem Terra: é um marco na luta camponesa. Ela traz a possibilidade de uma vida digna, baseada na produção de alimentos saudáveis. O MST reafirma seu compromisso com a produção sustentável e a organização coletiva da vida no campo, garantindo que a terra cumpra sua função social, em vez de servir aos interesses de grileiros e especuladores.

A luta pela terra na região não é fácil. Além das ameaças e das tentativas de despejo, os Sem Terra enfrentaram a criminalização de sua resistência. No entanto, a determinação e a união dos trabalhadores e trabalhadoras permitiram essa vitória, mostrando que a Reforma Agrária é um direito e uma necessidade para o povo brasileiro.

A memória de Ana Paula e Aldecir Viturino segue viva em cada trabalhador e trabalhadora Sem Terra que insiste em lutar por um Brasil mais justo. Transformamos o luto em luta, reafirmando nosso compromisso com a Reforma Agrária, com a justiça e com uma vida digna no campo.

Por isso, quando um Sem Terra morre, não há silêncio. Há o grito por justiça, a marcha que não para e o compromisso que se renova. Sabemos que não basta enterrar nossos mortos – é preciso continuar lutando pelo que eles acreditaram. Seguiremos firmes, porque cada companheiro e companheira que parte nos deixa uma tarefa inacabada e um sonho que não pode morrer.

É com esse compromisso que dizemos: Ana Paula e Aldecir Viturino, presentes! Hoje e sempre!

- Editado por Fernanda Alcântara.

Fonte: MST - Brasil

Temas: Agricultura campesina y prácticas tradicionales, Movimientos campesinos, Tierra, territorio y bienes comunes

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