‘Agroecologia é o caminho’: MST celebra 23ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico com foco em resiliência e alimento saudável

Idioma Portugués
País Brasil
A anfitriã será a Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita (RS) | Crédito: Katia Marko

Grupo Gestor do Arroz estima colher 14 mil toneladas em 10 assentamentos de sete municípios gaúchos.

Com o tema “Agroecologia é o Caminho”, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza nesta sexta-feira (20), a partir das 9h, a 23ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico. A expectativa é receber 2 mil pessoas. Segundo a organização, estão confirmados ônibus de todas as regiões do estado.

Este ano, a anfitriã será a Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita (RS). A cooperativa desde 1994 aposta na organização coletiva para a industrialização de arroz, leite, suínos e panificados, servindo de exemplo para a viabilidade econômica do modelo agroecológico.

A simbologia da Reforma Agrária Popular

Para a direção do movimento, o arroz representa mais do que um grão na mesa: é um projeto político e social. Lara Rodrigues, da direção nacional do MST, enfatiza que o arroz possui uma simbologia central para a organização. “O grão é a consolidação da ação do projeto da produção de alimentos saudáveis da nossa Reforma Agrária Popular. E o sucesso da safra, mais uma vez com a expectativa de colher 14 mil toneladas, demonstra que a agroecologia em escala é possível”.

Rodrigues ainda defende que o lema da festa, “Agroecologia é o Caminho”, reflete a convicção de que esta é a “única solução frente ao colapso ambiental e o colapso social que estamos vivendo”.

“O grão é a consolidação da ação do projeto da produção de alimentos saudáveis da nossa Reforma Agrária Popular”, salienta Lara Rodrigues | Crédito: Katia Marko

Números da safra

A festa marca a consolidação da maior experiência coletiva de produção de arroz orgânico da América Latina, posição que o movimento ocupa há mais de 10 anos, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Mesmo após os desafios impostos pelas enchentes históricas que atingiram o estado em anos anteriores, a persistência das famílias assentadas resultou em números expressivos para a safra atual.

O Grupo Gestor do Arroz espera colher 14 mil toneladas de grãos, de uma área plantada de cerca de 2.800 hectares. Ao todo, são 290 famílias camponesas envolvidas, de 10 assentamentos em sete municípios gaúchos: Nova Santa Rita, Viamão, Eldorado do Sul, São Jerônimo, Charqueadas, Tapes e São Gabriel.

Bioinsumos e resiliência climática

A sustentabilidade do sistema produtivo, especialmente após os desafios climáticos enfrentados pelo estado, encontra nos bioinsumos uma base tecnológica fundamental.

Essa tecnologia é impulsionada por iniciativas como a Biofábrica Ana Primavesi, no assentamento Filhos De Sepé, em Viamão (RS), que seleciona e multiplica microrganismos benéficos da própria natureza para servir às famílias assentadas.

Dionéia Soares Ribeiro, integrante do Grupo Gestor do Arroz e responsável pelo projeto dos Bioinsumos, explica que a agroecologia é o caminho para a resiliência climática e a saúde das pessoas. Ela destaca que a produção é baseada em práticas que mantêm o solo, a água e a biodiversidade saudáveis.

Nesse contexto, Ribeiro afirma que os bioinsumos entram como uma “peça-chave para produção de grãos saudáveis, para reduzir os custos de produção e para preservar o meio ambiente”.

Ela lembra que após as inundações de 2023 e 2024, o uso de bioinsumos foi o “segredo” para a retomada da produção, auxiliando no fortalecimento biológico do solo e na sanidade das plantas. “Eles permitem recolocar a microbiologia natural nos espaços produtivos, aproximando o sistema agrícola do equilíbrio de uma mata nativa preservada”, explica.

A assentada reforça que o uso dessas tecnologias biológicas em lavouras atingidas por enchentes resultou em diferenciais visíveis de produtividade e saúde vegetal. “Isso gera um fator motivacional para os agricultores, que percebem a viabilidade de continuar produzindo mesmo após perdas severas”.

Conforme Ribeiro, diferente dos agrotóxicos, que geram ciclos de contaminação e dependência da indústria, os bioinsumos buscam o equilíbrio do sistema. “Em contextos de colapso ambiental, essa autonomia é vital para que os agricultores possam retomar suas atividades de imediato, sem depender exclusivamente de pacotes tecnológicos externos”.

Dionéia Soares Ribeiro afirma que os bioinsumos entram como uma peça-chave para produção de grãos saudáveis, para reduzir os custos de produção e para preservar o meio ambiente | Crédito: Katia Marko

Programação: Arte, política e solidariedade

A festa iniciará com o tradicional ato na lavoura às 9h, com uma colheita simbólica, seguido por um Ato Político às 10h30, com a presença de autoridades governamentais e parlamentares. Já está confirmada a participação do dirigente nacional do MST João Pedro Stédile.

Durante todo o dia haverá a Feira da Reforma Agrária Popular, com cerca de 35 feirantes de várias regiões do estado, com uma diversidade de produtos da Reforma Agrária Popular. Também será possível conhecer as diversas tecnologias utilizadas pelo MST no Caminhos da Agroecologia.

Seguindo o compromisso ambiental, a organização reforça que a festa é “lixo zero”, sendo obrigatório que cada participante leve seu próprio kit de prato, copo e talheres.

Festival por Terra, Arte e Pão

Após o almoço, a partir das 14h, inicia o Festival por Terra, Arte e Pão, com diversas atrações culturais.

Animação – Frente de Música João do Vale

Apresentações:

  • Lila Borges, compositora, produtora cultural e educadora musical.
  • Ciro Guitarreiro, cantautor, cientista social e professor.
  • Guapas 60+ – Dança e Resistência, grupo de dança formado por professoras e funcionárias de escolas estaduais filiadas ao CPERS Sindicato.
  • Zé Martins, músico, professor e artista plástico. Integrante e fundador do Grupo Unamérica.
  • Leonel e o flautista Eduardo José Figueiro.
  • Grupo Folclórico Palestino Terra, grupo de dança folclórica Palestina fundado em 2004 por filhas de palestinos na tentativa de manter a cultura e divulgá-la para todo Brasil.

- Editado por Marcelo Ferreira.

Fonte: Brasil de Fato

Temas: Agricultura campesina y prácticas tradicionales, Agroecología, Comercio justo / Economía solidaria

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