China propõe colaboração internacional para defender soberania venezuelana e paz regional
Beijing condena a ação terrorista dos EUA contra a Venezuela, exige a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro.
A China fez uma das mais duras intervenções recentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas ao condenar a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e exigir a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, detidos à força.
O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, destacou durante a sessão de emergência que a operação evidencia o isolamento diplomático de Washington diante da comunidade internacional e reiterou que a China se coloca à disposição para colaborar com os países da região e a comunidade internacional, a fim de proteger a soberania venezuelana e garantir a paz na América Latina e no Caribe.
“Estamos prontos para colaborar com os países da região e com a comunidade internacional a fim de reforçar a solidariedade, a cooperação, defender a justiça e salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe”, afirmou Fu Cong.
Segundo Pequim, a comunidade internacional deve priorizar o diálogo, o respeito à soberania dos Estados e a resolução pacífica das controvérsias, evitando ações unilaterais que possam desestabilizar regiões inteiras.
“Nenhum país pode ser a polícia do mundo, nem nenhum Estado pode se erigir em juiz internacional. A paz e a estabilidade internacionais só podem ser garantidas por meio do multilateralismo e da cooperação entre todos os Estados”, reforçou o embaixador.
Sequestro de chefe de Estado e ruptura da ordem internacional
Fu Cong descreveu os acontecimentos do dia 3 de janeiro como uma ruptura grave das normas que regem as relações internacionais, ao envolver a detenção forçada de um chefe de Estado em exercício, um ato extremo mesmo em cenários de guerra declarada.
“No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos puseram em marcha incursões ilícitas flagrantes, detendo à força o presidente e sua esposa e retirando-os do país. Disseram que iriam governar o país e não descartaram uma segunda rodada de operações militares, inclusive de maior escala”, afirmou o embaixador chinês.
O episódio reacendeu alertas sobre precedentes perigosos para o sistema internacional, especialmente para países do Sul Global, historicamente sujeitos a intervenções externas sob pretextos políticos ou de segurança. Autoridades de países vizinhos e organismos regionais advertiram que uma ação desse tipo pode minar a estabilidade e abrir um precedente de intervenção militar direta em governos soberanos.
“Choca profundamente a China esta ação unilateral de hostigamento dos Estados Unidos, que condenamos de maneira categórica”, acrescentou Fu Cong.
Segundo Pequim, nenhum país pode se erguer como polícia ou juiz internacional, e a história demonstra que soluções militares não resolvem crises, apenas as aprofundam.
Exigência de libertação do presidente Maduro
Um dos pontos centrais da fala chinesa foi a exigência clara e direta pela libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, bem como a garantia de sua integridade física e direitos humanos, diante de um ato classificado como sequestro de chefe de Estado em exercício.
“Pedimos aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa e que os libertem de uma vez por todas”, afirmou o embaixador chinês, Fu Cong.
Segundo Pequim, a Venezuela mantém intacto seu direito à autodeterminação, protegido por normas concretas do direito internacional e os tratados internacionais de direitos humanos que garantem a escolha livre de governos sem coerção externa.
“A Venezuela é um Estado independente e soberano, com todo o direito de defender sua soberania e sua dignidade nacionais”, reforçou Fu Cong.
A China alerta que qualquer tentativa de alterar o governo legítimo de um país por meios coercitivos, como prisões forçadas ou intervenções militares unilaterais, constitui violação grave do direito internacional e do multilateralismo, reforçando a necessidade de proteger a paz, a estabilidade e a integridade territorial da Venezuela.
Sanções, bloqueios e o cerco prolongado à Venezuela
A intervenção chinesa contextualizou o ataque militar dentro de uma estratégia mais ampla de pressão contra a Venezuela, marcada por anos de sanções econômicas, bloqueios financeiros e tentativas de isolamento diplomático. Segundo Fu Cong, “a comunidade internacional manifestou reiteradamente sua profunda preocupação com as sanções, os bloqueios e a ameaça do uso da força contra a Venezuela”.
Além disso, análises concretas indicam que essas medidas tiveram impactos econômicos severos. Um estudo conjunto do Global South Insights e do Instituto Tricontinental aponta que, entre 2017 e 2024, as sanções lideradas pelos EUA causaram perda de aproximadamente US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas, valor equivalente a mais de duas vezes o PIB do país no período. Segundo a OPEP, o petróleo representa cerca de 95% das exportações da Venezuela, e a produção nacional caiu para cerca de 0,9 a 1 milhão de barris por dia, refletindo a combinação de restrições externas e dificuldades operacionais internas.
Do ponto de vista do direito internacional, as sanções e bloqueios têm caráter ilegal, por violarem normas concretas. A Carta da ONU protege a soberania e a igualdade dos Estados e proíbe o uso da força ou coerção para interferir nos assuntos internos (Artigos 2(1) e 2(4)). O princípio da não intervenção, previsto na Convenção de Haia de 1907 e reafirmado em resoluções da Assembleia Geral, proíbe medidas unilaterais que tentem alterar governos soberanos. O direito internacional humanitário, pelo Artigo 33 da Quarta Convenção de Genebra, proíbe punição coletiva da população civil, enquanto pactos internacionais garantem a autodeterminação dos povos, incluindo a escolha livre de governos sem coerção externa.
“Como membro permanente do Conselho de Segurança, os Estados Unidos fizeram caso omisso às graves preocupações da comunidade internacional e, de forma deliberada, pisotearam a soberania venezuelana, sua segurança e seus direitos e interesses legítimos.” afirmou Fu Cong.
Violação dos princípios fundadores da ONU
Para a China, a gravidade da ação estadunidense reside não apenas no impacto regional, mas na violação direta dos pilares do sistema multilateral construído após a Segunda Guerra Mundial.
“Foram gravemente vulnerados os princípios da igualdade soberana, da não ingerência nos assuntos internos, da solução pacífica das controvérsias internacionais e da proibição do uso da força nas relações internacionais”, afirmou o embaixador chinês na ONU.
A operação que resultou no sequestro de Maduro e de sua esposa constitui, segundo Pequim, um exemplo claro de desrespeito à Carta da ONU (Artigos 2.1 e 2.4), ao princípio da não intervenção previsto na Convenção de Haia de 1907, e aos direitos humanos consagrados em tratados internacionais, incluindo a proibição de punição coletiva da população civil.
Ao priorizar a força militar, Washington enfraquece deliberadamente os mecanismos diplomáticos e jurídicos que sustentam a paz internacional, alertou Pequim, reforçando que soluções militares unilaterais nunca substituem o diálogo multilateral e apenas agravam crises regionais e globais.
Histórico de intervenções dos EUA na América Latina e no mundo
Fu Cong reforçou sua crítica lembrando i ntervenções militares anteriores conduzidas pelos Estados Unidos, que resultaram em instabilidade prolongada, crises humanitárias e enormes impactos sobre populações civis.
“A história nos lembra gravemente que as soluções militares não são soluções. O uso indiscriminado da força não provocará senão crises ainda maiores”, afirmou o embaixador chinês.
Ele destacou que, assim como no Iraque, em operações na Líbia e em intervenções diversas na América Latina, ações unilaterais americanas geraram colapso institucional, deslocamentos em massa e prejuízos econômicos graves, reforçando a leitura de que a Venezuela enfrenta hoje uma lógica recorrente de intervenção externa.
Proposta chinesa: diálogo, multilateralismo e solidariedade
Ao encerrar sua i ntervenção na ONU, a China reiterou sua disposição de atuar diplomaticamente para conter a escalada do conflito, fortalecer a cooperação internacional e proteger a soberania venezuelana diante da ação militar dos Estados Unidos.
“Estamos prontos para colaborar com os países da região e com a comunidade internacional a fim de reforçar a solidariedade, a cooperação, defender a justiça e salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe”, afirmou o embaixador chinês.
Pequim destacou que a solução para crises internacionais deve se basear no diálogo, na negociação pacífica e no respeito à Carta das Nações Unidas, evitando medidas unilaterais que desrespeitem a soberania de Estados independentes.
Impacto humano do ataque
O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela em 3 de janeiro deixou dezenas de mortos e diversos feridos. Entre os mortos, estão militares e civis, enquanto bairros residenciais próximos às áreas atacadas sofreram danos significativos, especialmente em regiões próximas a Caracas e La Guaira.
Hospitais e centros de saúde, já fragilizados por anos de crise, ficaram sobrecarregados com o atendimento a feridos, enfrentando interrupções de energia e dificuldades logísticas. Em resposta, multidões saíram às ruas em várias cidades, manifestando apoio ao presidente Nicolás Maduro e repudiando a intervenção estrangeira, enquanto parlamentares venezuelanos reforçaram o clamor pela libertação imediata do presidente e sua esposa e pela defesa da soberania do país.
- Editado por Nathallia Fonseca.
Fonte: Brasil de Fato
Notas relacionadas:
China propõe colaboração internacional para defender soberania venezuelana e paz regional
Trump asegura que Venezuela entregará a EE.UU. entre 30 y 50 millones de barriles de petróleo
Deepfakes como arma informativa contra Venezuela: anatomía de una ofensiva