Em 26 anos de história, Movimento dos Pequenos Agricultores está presente em 19 estados

Idioma Portugués
País Brasil
Foto: Archive MPA

Luta do MPA pelos direitos dos camponeses é pautada pelo respeito à natureza, a valorização e o amor à agroecologia.

Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), nasceu durante uma mobilização histórica pela agricultura camponesa. Frei Sérgio Antonio Görgen, dirigente do MPA e integrante do Assentamento Conquista da Fronteira, no Rio Grande do Sul (RS), conta que tudo começou nos anos 1990, após uma forte seca, que motivou uma grande e simbólica conquista. 

“Numa estiagem brutal do ano de 1995, que entrou no início do ano 1996, sem nenhuma política pública, sem nenhum sistema de proteção ou seguro, foram para a beira da estrada lutar por um crédito emergencial para suportar o drama da seca daquele ano. Essa mobilização depois de quatro semanas de luta foi vitoriosa (...) A gente considera que ali foi o surgimento do Movimento”. 

O campesinato no Brasil é formado em sua maioria por pessoas que descendem dos povos indígenas, africanos e imigrantes europeus. Um contexto social, em grande parte, à margem do modelo de desenvolvimento capitalista.

“O campesinato sempre foi caudatário das políticas do latifúndio e por isso sempre teve que lutar, lutar por reformar agrária, pra se manter na terra … dão sustentação ao campesinato até hoje”, ressalta Görgen.

O MPA está presente em 19 estados de todas as regiões do país e já organizou aproximadamente 100 mil famílias camponesas de forma direta. É o caso da camponesa e agroecóloga gaúcha Rosiele Ludtke, que deixou de plantar fumo para embarcar na agroecologia e assim conseguiu a tão sonhada casa própria.

O MPA está presente em 19 estados de todas as regiões do país / MPA

"Na reconversão da produção de tabaco foi tudo feito no sistema agroecológico. Então resgate de sementes crioulas, resgate da sabedoria sobre as plantas medicinais, aprender a fazer os nossos próprios insumos, se tornar cada vez mais livre, mais autônomo ou construir uma soberania em todo o processo. O movimento foi fundamental para que a gente pudesse dar esse passo”, conta. 

Saiane Santos, coordenadora da Secretaria Nacional do MPA no estado da Bahia, também destaca o comprometimento da agricultura familiar ligada ao Movimento com a produção saudável e agroecológica. 

“A gente entende que a agroecologia é um processo muito mais amplo. A gente fala que é a produção de alimentos saudáveis, mas também é a relação com a natureza, é a relação dos seres humanos, entre quem produz e quem consome. Então a gente não produz um alimento por exemplo pra somente que quem tenha dinheiro possa consumir", afirma.

Nestes 26 anos, o Movimento dos Pequenos Agricultores teve muitas conquistas: moradia camponesa, crédito para agricultura, acesso a água encanada para as comunidades rurais, seguro agrícola e a ampliação do crédito para produção de alimentos.

Além há os projetos de sementes, de assistência técnica e extensão rural, incluindo a criação do  Programa Camponês e da afirmação da identidade dos trabalhadores do campo.

“A gente do movimento tem ressignificado cada vez mais essa questão de quem é o sujeito camponês... A identidade do sujeito camponês”, conclui
Ludtke.

Edição: Douglas Matos

Fuente: Brasil de Fato

Temas: Movimientos campesinos

Notas relacionadas:

En portada: Movilizaciones campesinas frenaron la explotación de cobre del proyecto Tía María durante más de 15 años.

Perú aprueba explotación de Tía María, proyecto de Grupo México bloqueado por resistencia campesina

Ecuador: espionaje estatal, persecución y judicialización contra la protesta social en el caso Leónidas Iza

Ecuador: espionaje estatal, persecución y judicialización contra la protesta social en el caso Leónidas Iza

«La Soberanía Alimentaria ha sido de las propuestas más revolucionarias que los campesinos hicimos al mundo» – Francisca «Pancha» Rodriguez (ANAMURI)

«La Soberanía Alimentaria ha sido de las propuestas más revolucionarias que los campesinos hicimos al mundo» – Francisca «Pancha» Rodriguez (ANAMURI)

Créditos: Isela Espinoza

Campesinos exigen la protección de los recursos naturales y el cese de la criminalización

Comentarios