MST debate soluções para reduzir preços dos alimentos e combater a fome

Idioma Portugués
País Brasil

Em entrevista ao programa Entrelinhas Vermelhas, Gilmar Mauro, do MST, critica o agronegócio e defende a agroecologia como caminho para segurança alimentar e justiça social.

Em entrevista ao Entrelinhas Vermelhas, o dirigente do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, relembrou o Abril Vermelho, marcado pelo massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, que deixou 21 mortos. Em memória desta violência impune, em 2025, o movimento promoveu 40 ações em 17 estados, incluindo ocupações e marchas, com o objetivo de pressionar por assentamentos para 65 mil famílias acampadas.

“O orçamento para reforma agrária é insuficiente. O governo promete assentar 12 mil famílias este ano, mas precisamos resolver o problema das 65 mil que esperam há décadas”, afirmou.

A violência no campo e a criminalização do MST

A demonização do movimento pela elite é atribuída por Mauro à resistência histórica à reforma agrária: “Desde Canudos e as Ligas Camponesas, as lutas pela terra foram reprimidas. O MST sobrevive porque tem apoio popular, mas enfrenta discursos de ódio e até atentados, como o atropelamento de militantes em Recife”.

Por que os alimentos estão tão caros?

Mauro apontou causas estruturais:

  • Prioridade à exportação: 70% das terras cultiváveis produzem soja e milho para o mercado externo, reduzindo oferta de alimentos básicos.
  • Especulação financeira: Commodities agrícolas são negociadas em bolsas, inflacionando preços.
  • Concentração do mercado: Poucas empresas controlam insumos, processamento e distribuição.

“Um aumento de 1% na Selic drena R$ 48 bilhões da economia. Com 3% desse valor, resolveríamos a reforma agrária no país”, criticou.

O que o governo Lula pode fazer?

Entre as medidas urgentes, o dirigente sugeriu:

  • Aumentar recursos para crédito à agricultura familiar (apenas 3,5% dos assentados acessaram financiamentos em 2024);
  • Retomar a Conab para regular estoques e combater altas especulativas;
  • Taxar lucros excessivos do agronegócio e destinar verba à reforma agrária popular.

“Temos 100 milhões de hectares degradados que poderiam virar agroflorestas produtivas. É uma questão de vontade política”, disse.

Agroecologia vs. Agronegócio: um modelo em disputa

Mauro denunciou os impactos do agronegócio:

  • Destruição ambiental: Savanização da Amazônia, esgotamento do Aquífero Guarani e contaminação por agrotóxicos.
  • Saúde pública: Ultraprocessados dominam 90% da alimentação global, gerando obesidade e doenças.

“O MST fornece 400 tipos de alimentos via PAA. Precisamos diversificar a produção e mudar hábitos de consumo”, defendeu.

“Só a revolução pode frear a crise climática”

Ao final, Mauro foi enfático: “O capitalismo lucra com a destruição. Enquanto houver financiamento de guerra e monocultivos, o colapso ambiental avançará. Reforma agrária popular é parte da solução, mas precisamos de mobilização massiva para mudar o sistema”.

Fonte: MST - Brasil

Temas: Movimientos campesinos, Soberanía alimentaria

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