MST realiza ato político de compromisso com a reforma agrária em Belém nesta sexta (24)

Idioma Portugués
País Brasil
- Encontro reúne mais de 400 dirigentes do movimento e deve traçar estratégias de luta para 2025 - Laís Alanna (MST-MA)

Ação marca o encerramento da reunião da Coordenação Nacional do movimento, realizada na capital paraense.

Cerca de 400 dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participam, desde segunda-feira (20), da  reunião da Coordenação Nacional do movimento, que pela primeira vez em 41 anos acontece na região amazônica, em Belém (PA).

Na manhã de sexta-feira (24), que marca o encerramento do encontro, será realizado um ato político de compromisso com a reforma agrária e com o Brasil às 10h, no Parque dos Igarapés. A manifestação deve reunir parlamentares, representantes de sindicatos, movimentos sociais e autoridades dos governos federal e estadual.

"É muito simbólico poder trazer essa força de articulação no ato, a partir de Belém, poder fazer esse diálogo não só com a sociedade brasileira, mas com o mundo como um todo sobre a questão do que é a Amazônia no contexto da  crise climática e as crises que temos vivido", explica Ceres Hadich, da direção nacional do movimento.

O ato sela ainda a série de debates realizados ao longo de cinco dias e amplia o compromisso do movimento com a construção da reforma agrária popular e o combate à crise ambiental.

"A gente entende que, mais do que afinar um plano de voo, uma estratégia, objetivos e lutas para o período de 2025, é fundamental que a gente possa articular e conduzir isso junto de outras forças que também estão se movimentando na sociedade. Então o ato expressa essa articulação de uma rede de apoio e ações conjuntas do ponto de vista institucional, mas também do campo popular e diversos setores da sociedade", complementa Ceres.  

COP30 e Cúpula dos Povos

Para o MST, é simbólico deslocar a direção nacional do movimento para  Belém do Pará neste ano, cidade sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada entre 10 e 21 de novembro de 2025.

Paralelo à COP30 será realizada também a  Cúpula dos Povos, organizada de maneira autônoma por mais de 400 organizações e movimentos sociais com o papel fundamental de diálogo com a sociedade civil e construção de pautas estratégicas a fim de denunciar falhas no combate à crise climática e apresentar reivindicações populares.

"Estamos no período em que o avanço da capital tem uma força muito maior e precisamos estar com a nossa resistência cada vez mais organizada, então deslocar a direção nacional para a Amazônia é fundamental. Estamos debatendo sobre a reforma agrária, mas também colocando o debate da  Amazônia em evidência, desde a cultura até os nossos desafios, para assim traçarmos metas coletivas para o próximo período", explica Jane Cabral, da direção nacional do movimento e do estado do Pará.

Ao longo do encontro de cinco dias, as delegações de dirigentes do movimento têm a oportunidade não só de dialogar sobre a Amazônia e seus desafios, mas também conhecer e vivenciar a cultura da região.

"É um orgulho compartilhar também os nossos sabores, a nossa alegria e cultura, pois a nossa cultura é resistência política. A cultura e a música devem compor o debate político e estamos muito felizes de compartilhar essa vivência com os nossos mais de 400 delegados e delegadas do MST", finaliza Jane.

- Edição: Nicolau Soares

Fonte: Brasil de Fato

Temas: Movimientos campesinos, Tierra, territorio y bienes comunes

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