SLC compra Sierentz por US$ 135 milhões e passa a ter 66% de terras arrendadas

Idioma Portugués
País Brasil

A SLC Agrícola anunciou a aquisição da Sierentz – outra produtora agrícola – por US$ 135 milhões (cerca de R$ 800 milhões), aprofundando sua estratégia asset light e chegando a dois terços de terras arrendadas. O valor final pode variar consoante o capital de giro e a dívida líquida da Sierentz.

A transação adiciona três fazendas arrendadas ao portfólio da SLC e cresce sua área plantada em 13%, ou cerca de 100 mil hectares plantados (ou 63 mil hectares físicos) — acima dos 65 mil que o mercado esperava para o ano e dos 35 mil de guidance da empresa.

A ação sobe cerca de 3% após o anúncio, a R$ 19,22. Nos últimos dias, o papel performou bem diante da possível guerra tarifária entre Estados Unidos e China, o que adicionaria um prêmio à soja brasileira.

“Melhoramos o nosso mix geográfico, reduzimos os riscos climáticos, e chegamos ao patamar de terras arrendadas que planejávamos,” o CEO Aurélio Pavinato disse num call com analistas. 

Como pretende continuar arrendando, a SLC não descarta voltar a comprar terras próprias no curto ou médio prazo.

“Temos agora 26 fazendas que são módulos independentes. Podemos adicionar mais gerências regionais para continuar crescendo,” disse o CEO. 

A Sierentz — cuja operação é 100% em áreas arrendadas — produz soja, milho e outros produtos agrícolas, e cria gado.

Com o negócio, a SLC comprou os arrendamentos de 5 fazendas: 68 mil hectares no Maranhão, 18 mil no Piauí e 10 mil no Pará. 

Duas das três fazendas no Maranhão e a do Pará ficarão com a SLC, enquanto a outra fazenda no Maranhão e uma do Piauí serão repassadas à Terrus por R$ 191,2 milhões – mais ou menos o capital de giro.

O plano da SLC é manter o plantio de soja e milho inicialmente, e implementar a cultura do algodão a partir do terceiro ano. A empresa não abriu o capex necessário.

“São áreas corrigidas, vamos iniciar a operação na próxima safra esperando produtividade em linha com a nossa. A métrica de retorno é CDI + 5%, e esperamos que as terras estejam dentro do padrão quando começarmos a produzir algodão,” disse Pavinato.

O valor de US$ 135 milhões, que inclui máquinas e equipamentos, será pago 60% no fechamento da aquisição, 20% em 2026 e 20% em 2027. 

“Em termos de dívida, a ideia é não passar de 2x EBITDA. Quando baixa de 1x, temos que aproveitar – e foi o que fizemos. A alavancagem vai crescer agora, mas dentro do planejado,” disse o CFO Ivo Brum.

Os contratos de arrendamento adquiridos hoje possuem um custo médio anual de 9,3 sacas de soja por hectare, com prazo médio de 13 anos.

Analistas afirmam que o valor está abaixo do praticado pelo mercado e da média da SLC, de 14 sacas, mas que o preço da aquisição ajuda a explicar a dinâmica.

“A SLC está aproveitando o período desafiador do agronegócio brasileiro para investir mais e crescer em área plantada. Vemos a aquisição como positiva,” disse o analista do Citi, Gabriel Barra.

Em outubro de 2024, a empresa já havia desembolsado R$ 520 milhões para comprar a participação minoritária que a Valiance tinha na sua subsidiária SLC LandCo.

O Citi tem recomendação de compra para SLC e preço-alvo de R$ 21, um potencial de valorização de 12,4% em relação ao fechamento de ontem.

Já o Itaú entende que o papel pode ir a R$ 25, uma alta potencial de 34%.

Fonte: Brazil Journal

Temas: Agronegocio

Notas relacionadas:

Paisagem de Sorriso (MT): acima, monocultura de soja; abaixo, os lotes de um projeto de produção agroflorestal Foto: Fellipe Abreu/Mongabay

“Entre nós, a dor nacional”: agronegócio, desertos verdes e a ameaça à natureza

El engaño de los créditos de carbono: un nuevo peligro para el campo en Asia

El engaño de los créditos de carbono: un nuevo peligro para el campo en Asia

El país que exporta alimentos al mundo no puede alimentar bien a sus propias ciudades, según un estudio de la UNC

El país que exporta alimentos al mundo no puede alimentar bien a sus propias ciudades, según un estudio de la UNC

Se pone en marcha un estudio exhaustivo sobre el estado de las tierras agrícolas

Se pone en marcha un estudio exhaustivo sobre el estado de las tierras agrícolas

Comentarios