Sequestro de Maduro acende alerta sobre novas intervenções dos EUA no Haiti
O país, que está há mais de um século sob influência dos EUA, não tem como se defender de novas investidas.
O sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro deu uma amostra sobre a postura do governo de Donald Trump em relação aos países latino-americanos e caribenhos. O Haiti, que há mais de um século convive sob interferência direta dos Estados Unidos, fica em alerta para possível nova intervenção.
Correspondente do Brasil de Fato no Haiti, Cha Dafol destacou que o país está a poucas semanas do fim do mandato original do Conselho Presidencial de Transição (CPT), estabelecido em 2024 e previsto para chegar ao fim em 7 de fevereiro deste ano. O país convive com um clima de incerteza.
“O mandato do CPT está acabando agora em fevereiro, eles não se posicionaram sobre o que aconteceu na Venezuela, simplesmente não disseram nada, não houve declaração oficial, porque eles sabem muito bem que eles mesmos foram colocados lá pelos Estados Unidos, não podem falar nada. Em fevereiro esse poder vai renovar, a gente não sabe quem vai decidir, mas não é o povo haitiano. E essa história vem se repetindo há 100 anos”, afirmou Defol, em participação no jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta segunda-feira (12).
O país, fragilizado por uma crise social e política de décadas, não tem sequer um Exército. Em caso de nova intervenção direta dos Estados Unidos, não conseguiria se defender. Em um cenário de ameaças explícitas dos Estados Unidos na região (depois da Venezuela, as ameaças agora se voltam a Cuba), o Haiti está sob risco.
“O que está acontecendo agora é uma espécie de aceitação internacional de que o Caribe e a América Latina são o quintal dos Estados Unidos. Houve o sequestro do presidente da Venezuela e a comunidade internacional não está fazendo nada. Alguns comentam, mas ninguém vai intervir ou impedir que isso aconteça novamente. Os Estados Unidos não vão abrir mão do Caribe e da América Latina. Estamos falando dessa nova configuração da geopolítica que é de zona de influência. Isso é muito tenso no Caribe”, analisou Defol.
Fonte: Brasil de Fato