Stedile: Como enfrentar de fato a crise ambiental?

Idioma Portugués
País Brasil

A boiada passa no Congresso. “Mercado” insiste no crédito de carbono como solução. E o agro festeja aumento da exportação. Em contraponto, o campo popular propõe saídas reais ao colapso. Entre elas, desmatamento zero, reflorestamento, reforma agrária e a virada agroecológica.

Todos os dias, os jornais noticiam crimes ambientais cometidos por empresas e pelo agronegócio, ávidos por lucro fácil. A apropriação privada de bens da natureza — como terras, água, florestas, biodiversidade e minérios — proporciona lucros extraordinários.

O uso de agrotóxicos, por exemplo, mata a biodiversidade, desequilibra a natureza, contamina o solo, as águas do lençol freático, os rios, os peixes e até as chuvas. Assim, prejudica toda a sociedade e provoca enfermidades comprovadas, como o câncer. A criação intensiva de gado bovino em grandes áreas, por sua vez, emite gases que contribuem para o efeito estufa, aumentando a temperatura do planeta.

O Congresso Nacional e o Poder Judiciário, com exceções, continuam “passando a boiada”, facilitando ações criminosas contra a natureza. As consequências estão diante de nossos olhos, prejudicando toda a sociedade: secas prolongadas, incêndios extensos, enchentes intensas, mudanças climáticas, aumento dos ventos e até nuvens de poeira incontroláveis.

O cientista Carlos Nobre tem alertado que a temperatura média do planeta aumentou 1,5 °C e que 50 milhões de hectares de áreas degradadas no Brasil precisam ser reflorestadas.

A Amazônia está sob ameaça, o que pode alterar o ciclo agrícola e causar o avanço do mar, inundando cidades inteiras.

Mas quem se importa?

Os capitalistas e suas influências no governo pregam o crédito de carbono como solução. Ou seja, transformar o oxigênio das florestas já existentes em títulos que poderão ser vendidos no hemisfério Norte aos poluidores, que lucrariam ainda mais. Sonham com a criação de um mercado de bilhões de dólares que, na prática, nada muda na defesa da natureza e no controle dos gases de efeito estufa.

Os festejos pelo aumento da exportação de soja e carne bovina escondem suas consequências para a natureza e o equilíbrio do ecossistema. O Brasil se apequena como país agroexportador, mesmo sendo capaz de construir empresas como a Embraer, que sozinha exporta metade do valor de toda a carne bovina.

Os movimentos populares do campo, as entidades ambientalistas, as igrejas, amplos setores da universidade e da comunidade científica têm defendido um programa com soluções necessárias e urgentes.

Precisamos de desmatamento zero. Não é necessário derrubar nenhuma árvore para atender às necessidades do povo.

É preciso proibir a exportação de madeira e ouro. É urgente realizar um controle rigoroso das atividades de mineração e seus impactos ambientais.

O país precisa instituir um plano nacional de reflorestamento, com recursos públicos, para recuperar milhões de hectares em todo o território.

Também é fundamental reflorestar as grandes cidades, a fim de enfrentar a poluição e amenizar o aumento das temperaturas.

É necessário encarar o problema do transporte individual movido a combustíveis fósseis, com um plano de transporte público de massa, gratuito e de qualidade.

Além disso, devemos ampliar o uso da energia solar no maior número possível de atividades produtivas.

No campo, é preciso avançar com a reforma agrária e criar um programa nacional de agroecologia para produzir alimentos saudáveis para todo o povo, sem o uso de agrotóxicos.

É hora de pararmos de nos iludir com soluções milagrosas na COP30, que tende a ser uma grande farsa — como tantas outras desde 1995.

Fonte: Outras Palavras

Temas: Crisis climática, Movimientos campesinos

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