TPP e TTIP: veículos prediletos das transnacionais transgênicas

Idioma Portugués
País Brasil

"Os grandes tratados comerciais e de investimentos, favoráveis aos interesses corporativos e com a pretensão de assentar as bases transnacionais do século XXI, estão sendo uma das fronteiras da disputa política entre os interesses comuns socioambientais e os interesses da indústria biotecnológica, nanotecnológica e da biologia sintética."

2 de junho de 2016

 

“Os grandes tratados comerciais e de investimentos, favoráveis aos interesses corporativos e com a pretensão de assentar as bases transnacionais do século XXI, estão sendo uma das fronteiras da disputa política entre os interesses comuns socioambientais e os interesses da indústria biotecnológica, nanotecnológica e da biologia sintética”, escreve o economista mexicano Alejandro Villamar, membro da Rede Mexicana de Ação frente ao Livre Comércio, em artigo publicado por Rebelión, 01-06-2016. A tradução é do Cepat.

 

Eis o artigo.

 

No último dia 21 de maio, em 50 cidades de todos os continentes, ocorreram mais de 400 marchas contra a transnacional Monsanto, cabeça das corporações promotoras dos cultivos transgênicos, ou da estratégia oligopolista de controle da agricultura mundial.

 

Esta foi uma resposta mundial coordenada de cidadãos e de organizações camponesas e acadêmicas comprometidas socialmente, em oposição à ofensiva desprendida pelas transnacionais nas mais diversas frentes. No Congresso dos Estados Unidos, nos relatórios “científicos”, nas instituições latino-americanas, e desde então nos megaprojetos comerciais, como são o Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e o Acordo de Associação Transatlântico para o Comércio e o Investimento (TTIP).

 

Depois que o estado de Vermont, base do senador democrata Bernie Sanders, aprovou, em 2014, uma lei de rotulagem obrigatória para alimentos contendo transgênicos, acompanharam-lhe os estados de Connecticut e Maine, sendo assim, durante todo o ano passado, os esforços dos lobistas foram para evitar que o exemplo se espalhasse em outros estados.

 

Em fins de 2015, a aliança transnacional e os conservadores na Câmara de representantes aprovaram uma lei de rotulagem voluntária (H.R. 1599), mas sobretudo que limitava as faculdades estatais para regulamentá-las em nível nacional.

 

O protesto social e científico de mais de 600 organizações dos Estados Unidos, que apoiam a rotulagem obrigatória, questionou, pela voz de Wenonah Hauter, uma destacada ativista: The United States of Monsanto? E qualificou a manobra como “outro sintoma de uma democracia sequestrada pelos interesses corporativos”.

 

Em inícios de 2016, a estratégia transnacional transgênica se acentuou no Senado, com um lobby de cerca de 100 milhões de dólares repartidos, mas em plena campanha eleitoral, e com 88% da população apoiando a rotulagem obrigatória, a oposição cidadã e os votos democratas derrotaram a iniciativa (S. 2609) por pequena margem.

 

Freada a manobra legislativa nos Estados Unidos, a ação se reativou em duas frentes chaves: a do discurso ideológico abonado por instituições e cientistas ricamente subsidiados pelas corporações transgênicas e, sobretudo, no terreno de impor as regras internacionais comerciais, que mediante os grandes tratados lhes abriram as portas às exportações e ao controle alimentar mundial.

 

Mediante a controvertida e impugnada opinião pró-Organismos Geneticamente Modificados, do Conselho Nacional de Pesquisa (NRC) - braço da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e receptor de milhões de dólares em fundos de corporações como Monsanto, DuPont e Dow Chemical, denunciado pela prestigiada organização civilFood&Water Watch (FWW) -, recentemente se voltou a reativar a falsa imagem de opinião “científica” favorável ao consumo de produtos transgênicos.

 

A oportuna publicação de FWW sobre os profundos e detalhados laços entre a maioria dos especialistas emOrganismos Geneticamente Modificados dos centros de engenharia genética, as instituições e os fundos corporativos, é categórica ao afirmar que “foram criados conflitos de interesse em todos os níveis da organização” e que enquanto isto não for ventilado e resolvido em favor da autonomia real dos pesquisadores, as opiniões “científicas” estão manchadas de dúvidas sobre sua “objetividade” e credibilidade.

 

Uma opinião semelhante foi expressa há três anos, em 2013, por mais de 230 cientistas de diversos países, que afirmaram que não há consenso científico sobre a segurança dos Organismos Geneticamente Modificados.

 

Finalmente, os grandes tratados comerciais e de investimentos, favoráveis aos interesses corporativos e com a pretensão de assentar as bases transnacionais do século XXI, estão sendo uma das fronteiras da disputa política entre os interesses comuns socioambientais e os interesses da indústria biotecnológica, nanotecnológica e da biologia sintética.

 

No grande acordo transpacífico, as empresas transnacionais, seus lobistas e funcionários cúmplices, conseguiram deixar incorporados seus objetivos no Capítulo 2, do Trato Nacional e acesso de bens de mercado, especialmente no Artigo 2. 29 - Comércio de produtos da biotecnologia moderna, do texto do TPP - é permitida a entrada indiscriminada de cultivos transgênicos, de perigosos produtos biológicos e nanotecnológicos.

 

A trama jurídica foi construída sob a longa experiência de, primeiramente, reconhecer de maneira retórica o direito de qualquer estado proceder conforme suas próprias leis, regulamentos e políticas, e colocar à disposição do público informação sobre o tema e as permissões e procedimentos alfandegários. No entanto, o fragmento 5 do artigo citado estabelece a condição metodológica imposta na permissiva legislação estadunidense em aceitar níveis baixos de contaminação e se ater às diretrizes para a realização da avaliação de inocuidade dos alimentos obtidos de plantas de DNA recombinante. Que traduzida em linguagem simples é aceitar os critérios, normas e procedimentos da potência dominante.

 

Fonte: IHU

Temas: TLC y Tratados de inversión, Transgénicos

Notas relacionadas:

Imagen: COMISION FEDERAL DE ELECTRICIDAD/HANDOUT/dpa/picture alliance

La UE refuerza su alianza con México , "un puente gigante"

La disputa por YPF puede escalar al CIADI, un terreno históricamente adverso para la Argentina

La disputa por YPF puede escalar al CIADI, un terreno históricamente adverso para la Argentina

Así busca EEUU asegurar minerales esenciales para su industria

Así busca EEUU asegurar minerales esenciales para su industria

Comentarios