Brasil: produtor de sementes faz criticas, por Edimilson de Souza Lima
A decisão do governo de liberar o cultivo e comercialização de soja transgênica na próxima safra continua gerando polêmicas, não só entre os ecologistas, mas também em segmentos do próprio agronegócio
O presidente da Associação Brasileira de Sementes (Abrasem), João Lenine Bonifácio de Souza, disse ontem que ao autorizar o plantio da soja RR (Roundup Red), o governo praticamente atirou ao lixo toda a política fitossanitária do País.
João Linine, que também é presidente do Centro Tecnológico de Pesquisa Agropecuária (CTPA), explica que o argumento é muito simples: se o País não produz e não importa esse tipo de semente, fica implícito que a autorização veio para legalizar o plantio do produto contrabandeado. ?São sementes que entraram, principalmente pelo Rio Grande do Sul, vindas na maior parte da Argentina, e que vão se disseminando pelo País de forma totalmente irregular, sem qualquer acompanhamento ou controle?, protesta o presidente da Abrasem.
Riscos
Para João Lenine, ainda estão por ser dimensionados os riscos a que a agricultura brasileira está sendo submetida com a liberação intempestiva do cultivo da soja transgênica, ?mas seguramente são enormes e incluem a reintrodução de doenças que há muito tempo já estavam sob controle?. Ele considera no mínimo um contra-senso o governo editar uma MP para legalizar a situação de contrabandistas e de receptadores de sementes contrabandeadas, ao invés de liberar as 33 cultivares de soja RR produzidas no País, cujos processos de registro se arrastam sem definição no Ministério da Agricultura.
Conforme o presidente da Abrasem, o assunto dos transgênico dominou o 13º Congresso Brasileiro de Sementes, encerrado no final de semana, em Gramado, no Rio Grande do Sul, onde os 900 participantes manifestaram temor quanto às repercussões da MP para o mercado sementeiro nacional.
Segundo João Lenine, a liberação da semente contrabandeada afeta a credibilidade internacional do agronegócio brasileiro, desmerece a pesquisa nacional e desorganiza o setor sementeiro nacional. Ele argumenta que além de observar a legislação do País, o setor gera emprego e renda, investe em pesquisa e gera novas tecnologias que asseguram o avanço da qualidade e da produtividade na agricultura nacional.
Agrolink, Internet, 30-9-03