Após mobilizações, governo federal suspende dragagem no Rio Tapajós

Idioma Portugués
País Brasil
Hidrovias industriais propostas trariam, assim como grande parte dos outros projetos de represas amazônicas, desmatamento em larga escala

O governo federal suspendeu o processo de contratação para a dragagem do Rio Tapajós, no Pará, após mobilizações de povos indígenas e comunidades tradicionais em Santarém. A medida, entretanto, não atende a principal demanda dos protestos: a revogação do decreto que prevê a instalação de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

Apesar da decisão, a nota oficial do governo, publicada na sexta-feira (6), nega que a suspensão esteja ligada ao Decreto 12.600, assinado em agosto de 2025. De acordo com o texto, a medida anunciada pelo Ministério de Portos e Aeroportos seria uma ação de rotina e que “não tem relação com os estudos de concessão da hidrovia”. 

Desde a publicação do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lideranças da região se colocaram contra o que classificam como uma tentativa de privatizar o rio  Tapajós, que, segundo eles, já estaria contaminado por agrotóxicos usados na produção de grãos e por mercúrio utilizado em garimpos.

Desde 22 de janeiro deste ano, o movimento contra o Decreto 12.600 ganhou mais força e resultou na ocupação do terminal da empresa Cargill, em Santarém. A mobilização é liderada pelos povos do Baixo Tapajós e apoiada por povos de outras partes do rio, como os Munduruku e os Kayapó.

Sem revogar o decreto, a nota do governo federal reforça que a possível instalação das hidrovias precisam respeitar os compromissos firmados durante a COP30, em novembro. “Todo e qualquer empreendimento vinculado à Hidrovia do Rio Tapajós será precedido da realização de consulta livre, prévia e informada, nos termos da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, diz o trecho firmado em Belém. 

O documento foi assinado pelos ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República; Silvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos; e Sônia Guajajara, dos Povos Indígena e esbarra em reivindicações antigas dos povos originários.

Há meses, lideranças indígenas questionam a ordem dos fatores adotada pelo governo federal. “Para ter consulta, primeiro é preciso revogar o decreto. É consulta prévia, ou seja, tem que ser antes. Mas o decreto foi assinado primeiro”, apontou a liderança Alessandra Munduruku em entrevista à Agência Pública durante a COP30.

Editado por: Nathallia Fonseca

Fonte: Brasil de Fato

Temas: Defensa de los derechos de los pueblos y comunidades, Megaproyectos, Pueblos indígenas

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