Ataque de Trump à Venezuela mostra nova versão da ‘guerra ao terror’, aponta analista político

Idioma Portugués
País Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Brendan Smialowski/ AFP FacebookWhatsAppEmailXCompartir

Amauri Chamorro destaca a criação do conceito de 'narcoterrorismo' para justificar ação na América Latina, onde não há desculpa do extremismo religioso.

O sequestro do presidente venezuelano  Nicolás Maduro marca uma nova era daquilo que um dia os Estados Unidos chamaram de “guerra ao terror”, com invasões a países do Oriente Médio. Sem a justificativa do “extremismo religioso”, foi preciso apelar ao “narcoterrorismo”, para justificar ataques a países latino-americanos, aponta o analista político Amauri Chamorro, que participou do BdF Entrevista desta terça-feira (6).

Chamorro lembra que o presidente dos Estados Unidos precisa da aprovação do congresso do país para atacar outras nações, e o presidente  Donald Trump sabe que não receberia esse aval para avançar sobre a Venezuela. Por isso foi preciso criar essa nova categoria, o “narcoterrorismo“, e enquadrar Maduro para sequestrá-lo.

“Como não existe essa orientação radical religiosa fanática contra os Estados Unidos, no caso da América Latina, a única justificativa poderia ser o narcotráfico”, destacou.

A justificativa criada, porém, carece de ligação com a realidade, segundo Chamorro. Isso porque a cocaína produzida na Colômbia (e quase toda destinada aos EUA) não é escoada pelo território do país presidido por Maduro.

“A Venezuela não é nem produtora, nem país de trânsito da droga produzida pela Colômbia para os Estados Unidos. Essa droga sai diretamente ao México para ingressar os Estados Unidos por terra. A Venezuela não tem nada a ver com isso”, lembrou.

Apesar do golpe, a revolução bolivariana segue. Com a captura ilegal de Maduro, a presidenta interina Delcy Rodríguez passa a ser a figura central do chavismo. Com a oposição venezuelana de direita descartada pelo próprio trumpismo, ela responderá pelo país internacionalmente.

“A gente espera que a Venezuela nesse momento consiga se posicionar, que esse novo governo seja legitimado pela comunidade internacional e que isso permita, sim, pouco a pouco a Venezuela reconstruir a sua economia para poder avançar”, resumiu Chamorro.

- Editado por: Luís Indriunas.

Fonte: Brasil de Fato

Temas: Criminalización de la protesta social / Derechos humanos

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