‘Brasil poderia liderar iniciativa internacional em defesa de Cuba’ afirma embaixador

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Victor Cairo acusa que bloqueio dos Estados Unidos contra o país é uma tentativa de genocídio

Em encontro com jornalistas, embaixador cubano Victor Cairo pediu solidariedade efetiva com o país | Crédito: Rodrigo Gomes/Brasil de Fato

O embaixador de Cuba, Victor Cairo, afirmou nesta quinta-feira (9) que o Brasil tem força e liderança internacional para liderar uma iniciativa global em defesa do país caribenho frente às agressões e ameaças dos Estados Unidos, que deixam a ilha sem combustível com o bloqueio. As declarações foram dadas em encontro com jornalistas da mídia progressista.

“Lutar contra o bloqueio a Cuba não é uma causa ideológica, é uma luta contra o colonialismo e em defesa da autodeterminação dos povos. Cuba hoje precisa de solidariedade política e material, mas que seja efetiva e não só discurso. Brasil tem poder e poderia exercer sua liderança para chamar uma iniciativa internacional em defesa de Cuba. Não me parece que os EUA teriam condições de atacar ou capturar vários barcos de muitos países que venham a ajudar Cuba”, afirmou.

O embaixador pediu que os brasileiros reforcem a posição em defesa de Cuba, enviando cartas e mensagens ao governo Lula, reivindicando ações efetivas em prol do país caribenho. “Se receberem 2 milhões de cartas, vão ter de dar alguma satisfação. A classe artística pode ajudar fazendo shows, eventos”, afirmou.

Cairo explicou que Cuba produz 30% do combustível que precisa para gerar energia, mas o combustível gerado é muito desgastante para os equipamentos de geração. Antes da intensificação do bloqueio, o país recebia carregamentos de navios com o equivalente a 30% do combustível necessário para uso do país por dia. “Nos últimos quatro meses, apenas um navio com combustível atracou no país”, afirmou.

Ele destaca que os cubanos não confiam na negociação dos Estados Unidos, já que o país já atacou outras nações com as quais dizia dialogar. Para eles, o objetivo é minar a resistência do povo cubano, fazendo com que a população se volte contra a revolução. E, se isso não for suficiente, atacar o país militarmente.

“Temos 16h de blecaute na capital e muito mais em outras regiões. É uma ação criminosa de violação do direito internacional, que impede o funcionamento de escolas e universidades e limita muito a saúde. Se você tem que escolher entre duas crianças doentes qual vai receber atendimento, é uma prática de genocídio. O bloqueio contra Cuba, hoje, tem magnitude de um genocídio”, afirmou o embaixador.

Cairo destacou que o governo do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem apoiado o país e já enviou milhares de medicamentos. Está em processo a liberação de uma doação de alimentos que, segundo Cairo, teve a documentação finalizada nesta quinta-feira e agora aguarda o envio dos mantimentos aos portos, para posterior destinação a Cuba.

Movimentos populares também estão realizando ações de solidariedade a Cuba. Articulada pelo MST e outros movimentos, uma doação dialogada diretamente com o Ministério da Saúde de Cuba conseguiu duas toneladas de medicamentos que já foram enviados à ilha. Outro carregamento com cerca de 1,7 tonelada de medicações está sendo preparado.

O embaixador cubano destaca, porém, que a maior parte dos problemas pode ser resolvida se o país receber petróleo. “Se Cuba tiver combustível, não precisamos de alimentos, podemos produzi-los. Uma ação internacional que rompa o bloqueio do envio de combustível é uma solução efetiva”, explicou.

Integrante da coordenação nacional do MST, Igor Felippe destaca que o Brasil pode fazer mais, por exemplo, encontrando brechas no bloqueio em relação ao comércio entre empresas privadas.

“Acreditamos que o governo brasileiro pode fazer mais. É possível furar o bloqueio via investimento privado, então seria possível enviar combustível pela Petrobras. O mesmo valeria para medicamentos, por meio de uma parceria com laboratórios cubanos. Seguimos fazendo pressão para que o governo brasileiro efetive a solidariedade a Cuba”, afirmou.

Editado por: Thaís Ferraz

Fuente: Brasil de Fato

Temas: Geopolítica y militarismo

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