Caucus Indígena: “Não devemos sustentar o silêncio que mantém a morte e a dor”

Idioma Portugués
País Brasil
Delegação de mulheres lideranças em suas comunidades: Caucus deve ser um espaço para ouvir as vozes daquelas que protagonizam a defesa de suas comunidades. Foto: Repam

Delegação de mulheres lideranças em suas comunidades: Caucus deve ser um espaço para ouvir as vozes daquelas que protagonizam a defesa de suas comunidades. 

O 19 de abril não é um dia qualquer. O Brasil celebra o Dia dos Povos Indígenas e, para o calendário maia, como nos explica nossa companheira Margarita Noh, da Remam (Rede Eclesial Ecológica Meso-Americana), é “9 Kej”, dia do veado (com sua força de portador) e três vezes três, três vezes entrega e solidariedade. Uma energia que nos ajuda a olhar ao longo e ao largo, para a frente e para trás. Suportes necessários para a indignação que transborda diante das violências estruturais que vamos ouvindo nas sucessivas intervenções (de qualquer continente, de todos os povos); e a emoção pelos pequenos passos que vão sendo dados nas lutas paralelas e nas construções permanentes de propostas alternativas ao modelo colonial ocidental predominante.

“Estamos morrendo todos os dias por causa do meio ambiente, das águas contaminadas”, “nossas filhas e filhos abandonam a escola para ir trabalhar na mineração (legal ou ilegal, tanto faz)”, “somos discriminados e maltratados, e nos países hegemônicos querem abolir nossa medicina tradicional”; “estamos cheias de doenças silenciosas e mortais como o câncer”; “somos perseguidos, criminalizados, por defender a vida…”.

Dos povos ancestrais nos chega uma dimensão da saúde que vai além do físico, como acontece com as parteiras, que não apenas realizam acompanhamento e apoio nessa dimensão, mas também transmitem ética, respeito, reciprocidade e complementaridade; valores espirituais, culturais e sociais que vêm sendo transmitidos de geração em geração.

O que é o Caucus Indígena?

O Caucus Indígena é a principal instância de articulação e organização política dos povos indígenas durante a Assembleia do Fórum Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas (UNPFII). Funciona como um espaço de reunião e deliberação independente dos delegados indígenas antes e durante a conferência oficial da ONU.

Saúde espiritual, física e mental que se sustenta na água, e a água, por sua vez, no território. Por isso, nossa companheira Lucila, do povo Nawa e aluna da 4ª Escola de Promoção dos Direitos Humanos da Repam, acompanhada por seu companheiro Carlos, do Cimi, voltou a proclamá-lo no meio da assembleia do Caucus: “Demarcação já!”. Porque, sem território, não há povo, não há língua, não há ancestrais, não há água, não há árvores sagradas nem tartarugas sábias. Sem terra não há ecologia integral. Sem bem viver, não há equilíbrio, e a casa comum corre um grave perigo.

As mulheres protagonizaram os debates desta edição do Caucus: por todas as américas, as mulheres têm, cada vez mais, liderado suas comunidades e povos apesar de todas as adversidades. Foto: Repam

Encontro com Patricia Gualinga, membro do Fórum Permanente, com as três redes de ecologia integral: REGCHAG, Remam e Repam

Em nossa casa em Manhattan, graças à hospitalidade e à abertura permanente dos padres e irmãos de Maryknoll, reunimo-nos à noite com Patricia, as seis lideranças das três redes (Keila, Lucila, Margarita, Irmã Suyapa, Edigibaly e Marielba), juntamente com os companheiros e companheiras que dão suporte técnico a partir do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Alboan (organização jesuíta), Claretianos, Endepa (Equipe Nacional de Pastoral Aborígene) e Cáritas Espanhola, com a colaboração do Puam (Programa Universitário Amazônico).

Foi um espaço íntimo e significativo, com a tranquilidade e a profundidade necessárias para partilhar a vida, para nos colocarmos a serviço no caminho que Patricia inicia e para lhe fazer chegar que, desde a Igreja Católica e seu firme acompanhamento aos povos originários e afrodescendentes, estamos próximos; somos apoio firme e fortaleza na oração e oferta, presente da energia herdada das estirpes de cada um dos povos presentes.

Diante das ameaças e violências contra os territórios, contra seus rios, suas águas profundas e suas nascentes, e especialmente brutais com o futuro das crianças… também existe a luta e a resistência. E essa é a nossa missão: como redes de ecologia integral, como defensoras da vida, guardiãs das sementes, do canto dos ancestrais e da paciência e resistência do jabuti.

Fonte:  Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Temas: Pueblos indígenas

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