Em defesa da vida: Movimento de Mulheres Camponesas conclui Jornada Nacional de Luta em todo o país

Idioma Portugués
País Brasil

De 8 a 14 de março de 2026, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC Brasil) realizou sua Jornada Nacional de Lutas reafirmando o lema “Parem de nos matar: em defesa da vida, da agroecologia, democracia, soberania e da paz”. A Jornada foi construída de forma coletiva e mobilizou mulheres de 19 estados brasileiros, fortalecendo a luta em defesa da vida, dos territórios e dos nossos direitos.

O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora é uma data para evidenciar e ampliar as lutas enfrentadas em um país marcado pela violência de gênero, pelo aumento alarmante dos casos de feminicídio, pela desigualdade no trabalho e pelos conflitos nos territórios.

Do campo, das águas, das florestas e  das cidades, as militantes organizaram atividades como trabalhos de base, oficinas, reuniões, formações, atos nas ruas e mobilizações nos territórios.

As mulheres camponesas reafirmam que a resistência se constrói no cotidiano dos territórios, na autonomia e na continuidade das lutas históricas do movimento. A Jornada evidenciou, mais uma vez, a força da organização de base como estratégia fundamental para libertação de todas nós, e fortalecer um projeto popular para o campo e para a cidade.

Nos estados, também foram realizadas formações, rodas de conversa, seminários que trouxeram à tona as realidades sendo vivenciadas pelas camponesas e as necessidades de estratégias para uma vida digna. Assim como a troca de conhecimentos, vivências e experiências que historicamente fortalecem a luta e a união entre as companheiras.

Incidência política e diálogos em Brasília

Como parte da Jornada, o MMC também esteve presente em Brasília/DF, realizando uma intensa agenda de incidência política junto a diferentes ministérios e órgãos do Governo Federal. Mulheres do campo, das águas e das florestas, vindas das cinco regiões do Brasil, saíram rumo à esplanada dos ministérios, representando suas companheiras e seus territórios.

As dirigentes nacionais levaram às mesas de diálogos, pautas construídas coletivamente nos estados, reafirmando a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a agroecologia, que façam o enfrentamento à violência contra as mulheres e garantam direitos para as especificidades de quem vive no campo, nas águas e nas florestas.

Os encontros expressam a importância da presença organizada das mulheres camponesas nos espaços institucionais, tensionando o Estado e cobrando compromisso com os movimentos populares. “Estar enquanto Movimento de Mulheres Camponesas nesses espaços é também articular as lutas para esse ano de 2026, pois precisamos seguir defendendo um governo que esteja ao nosso lado”, destacou Sirley Ferreira, da Direção Nacional MMC.

As pautas apresentadas são fruto das lutas e demandas construídas nos territórios, desde os estados até o nível nacional.

Entre os dias 9 e 13 de março, o MMC esteve nos seguintes espaços:

  • Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ANATER)
  • Ministério das Mulheres
  • Ministério da Saúde
  • Ministério da Educação – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI)
  • Ministério do Trabalho e Emprego
  • Secretaria-Geral da Presidência
  • Ministério das Relações Exteriores
  • Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

Como estamos enfrentando um número alarmante de feminicídios, as dirigentes estenderam esse apelo pelo fim da violência ao Ministério das Mulheres, levando a necessidade do olhar voltado à realidade que vivem as camponesas. Para Randielly Soares, da Direção Nacional do MMC, “foi um momento importante de troca, de diálogo e de construção nesse processo de enfrentamento à violência”.

Acervo MMC Brasil

Nos encontros, foram apresentadas as pautas do MMC, reafirmando a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a agroecologia e o enfrentamento à violência contra as mulheres, assim como a soberania alimentar e os direitos para as especificidades de quem vive no campo, nas águas e nas florestas. “Trazemos as vozes das nossas companheiras que estão em seus territórios fazendo a luta no dia a dia. Precisamos de mais apoio para continuar cultivando alimentos saudáveis”,  ressaltou Antônia Tomé, Dirigente Nacional do movimento.

Março – Mês de luta

As atividades se estenderam durante todo o mês de março, levando as vozes, as denúncias e os anúncios das mulheres camponesas organizadas no MMC. Diante do aumento das violências, estratégias são elaboradas em defesa da vida de todas nós. Não nos calaremos diante das injustiças jamais! São 43 anos na missão de libertação das mulheres e seguiremos firmes no trabalho de base, nas manifestações, nas incidências políticas.

Do campo, das águas, das florestas e das periferias, a luta em defesa da vida é cotidiana para aquelas que cultivam o alimento saudável, cuidam da natureza e possibilitam a continuidade de conhecimentos geracionais.

Nossa luta é organizada e nossa resistência é estratégica, vamos marchar juntas por uma vida digna para todas, todes e todos!

Na sociedade que a gente quer! Basta de violência contra a mulher!!!
MMC 43 Anos!
Existimos Porque Lutamos!!!

 Fonte:  Movimento de Mulheres Camponesas (MCC)

Temas: Feminismo y luchas de las Mujeres, Movimientos campesinos

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