Explode uso de agrotóxicos e fertilizantes na produção de soja no Brasil

Idioma Portugués
País Brasil

Brasil usa agrotóxicos e fertilizantes de forma ineficiente e insustentável na produção de soja, revela estudo.

Em 1993, os produtores brasileiros usavam 1 kg de agrotóxico para produzir 23 sacas de soja. Em 2023, a mesma quantidade do insumo foi suficiente para produzir apenas sete sacas. Padrão semelhante ocorreu com os fertilizantes (fósforo e potássio). Em 1993, uma tonelada de fertilizantes produzia 517 sacas de soja, quantidade que caiu para 333 sacas em 2022.

O total de agrotóxicos utilizados na produção da soja no Brasil passou de 16 mil toneladas (1993) para 349 mil toneladas (2023), um aumento de 2019%. No caso dos fertilizantes, foram usadas 728 mil toneladas na produção do grão em 1993, contra 6 milhões de toneladas em 2022, um crescimento de 734%.

Maior produtor mundial de soja desde 2019, quando superou os Estados Unidos, o Brasil baseia sua liderança em um modelo de produção que depende do uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes e que se mostra cada vez mais ineficiente e insustentável, tanto econômica quanto ambientalmente. Entre os cinco maiores produtores de soja do mundo, o Brasil é o que mais usa agrotóxicos e fertilizantes por hectare.

O protagonismo global do Brasil, que deve bater o recorde de 168 milhões de toneladas de soja na safra 2024/2025, se explica mais pelo aumento do uso de insumos (agrotóxicos e fertilizantes) e da área plantada do que da produtividade. Entre 1993 e 2023, a área plantada de soja saltou de 11 milhões para 44 milhões de hectares, crescimento de 5% ao ano. A produtividade aumentou bem menos, 2% ao ano – era de 2.120 kg de soja por hectare e passou para 3.423 kg por hectare.

Os dados acima integram o estudo “Brasil como líder mundial em produção de soja: até quando e a que custo?”, que será lançado no próximo dia 10 (terça-feira) pelo Instituto Escolhas. O estudo mostra que o atual modelo de produção da soja corrói a rentabilidade dos produtores brasileiros.

“O produtor usa cada vez mais agrotóxicos e fertilizantes para produzir cada vez menos soja. Isso afeta sua renda, que também é impactada pelo aumento de preço desses insumos”, afirma Jaqueline Ferreira, diretora de Pesquisa do Instituto Escolhas e coordenadora do estudo. Em 1993, bastavam 11 sacas de soja para o produtor pagar os custos com sementes, agrotóxicos e fertilizantes. Em 2023, ele precisou de 23 sacas de soja para dar conta dessas despesas.

O estudo do Instituto Escolhas mostra que a promessa que acompanhou o lançamento das sementes transgênicas de soja no final da década de 1990, de que elas ajudariam no controle de pragas e na redução do uso de pesticidas, não se cumpriu. “A realidade é que a disseminação de sementes transgênicas foi acompanhada do aumento do uso de agrotóxicos”, afirma Jaqueline Ferreira. Hoje, 93% das sementes usadas na produção de soja no Brasil são transgênicas.

O Brasil é líder mundial em uso de agrotóxicos. Segundo dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, 2022), o país foi responsável por 22% de todo o volume global de agrotóxicos utilizados na agricultura. Na comparação com os cinco maiores produtores de soja, o Brasil também se destaca com os piores números em termos de eficiência do uso do insumo por hectare de terras cultivadas (todas as culturas): 12,63 kg/ha de agrotóxicos no Brasil, 5,94 kg/ha na Argentina, 3,02 kg/ha nos Estados Unidos, 1,76 kg/ha na China e 0,24 kg/ha na Índia.

Fonte: EcoDebate

Temas: Agrotóxicos, Transgénicos

Notas relacionadas:

Dos fallos contra los agrotóxicos en provincia de Buenos Aires

Dos fallos contra los agrotóxicos en provincia de Buenos Aires

Bayer AG propone acuerdo de conciliación colectiva para resolver demandas relacionadas a herbicida Roundup

Bayer AG propone acuerdo de conciliación colectiva para resolver demandas relacionadas a herbicida Roundup

Sede da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. Foto: Marcha Mundial das Mulheres / MA

Desastre ambiental na Vila Maranhão expõe atuação do Grupo Valen em São Luís (MA)

Comentarios