Microplásticos sufocam os oceanos e agravam a crise climática

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Estudo revela que partículas plásticas inibem a absorção de CO₂ pelos mares, comprometendo um dos principais mecanismos naturais de regulação do clima do planeta.

Pesquisa alerta para a necessidade urgente de políticas integradas que combatam simultaneamente a poluição por plásticos e as mudanças climáticas, protegendo a saúde dos oceanos e a estabilidade do planeta.

A capacidade dos oceanos de atuarem como “pulmões azuis” do planeta, absorvendo imensas quantidades de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera, está sob uma nova e silenciosa ameaça: a invasão dos microplásticos. Um estudo recente, que analisou de forma integrada pesquisas científicas publicadas na última década, revela que essas partículas minúsculas estão interferindo nos processos biológicos marinhos responsáveis pelo sequestro de carbono, potencialmente acelerando os efeitos do aquecimento global.

Definidos como fragmentos plásticos menores que cinco milímetros, os microplásticos são onipresentes. Eles foram encontrados das fossas oceânicas mais profundas ao gelo do Ártico, de fontes de água doce ao ar que respiramos e, inclusive, dentro do corpo humano. Agora, os cientistas alertam que, além dos danos já conhecidos à vida marinha e à saúde humana, essa poluição está minando um serviço ecossistêmico vital no combate às mudanças climáticas.

O “bombeamento biológico de carbono” sob ameaça

O coração do problema está na interferência dos microplásticos no “bombeamento biológico de carbono”. Este é o processo natural pelo qual o oceano transporta carbono da superfície para as camadas profundas, isolando-o da atmosfera por séculos. Ele é impulsionado principalmente pelo fitoplâncton – microrganismos que realizam fotossíntese, absorvendo CO₂ – e pelo zooplâncton, que consome o fitoplâncton e, ao defecar ou morrer, afunda, levando carbono para o fundo do mar.

A pesquisa, liderada pelo Dr. Ihsanullah e sua equipe, destaca que “os microplásticos interferem nesse processo ao reduzir a fotossíntese do fitoplâncton e prejudicar o metabolismo do zooplâncton”. Em outras palavras, as partículas plásticas intoxicam e estressam esses organismos fundamentais, diminuindo sua eficiência e, consequentemente, a capacidade do oceano de sugar CO₂.

A conexão invisível do plastisfério

Outro mecanismo preocupante apontado pelo estudo está ligado ao “plastisfério” – ecossistemas complexos de micróbios, bactérias e algas que colonizam a superfície dos plásticos no ambiente aquático. Essas biofilmes podem alterar a densidade das partículas plásticas, afetando sua taxa de afundamento, e liberar subprodutos que influenciam a química da água e os ciclos de nutrientes, com impactos ainda não totalmente compreendidos no ciclo do carbono marinho.

Apesar de ser uma questão global crítica, o papel dos microplásticos (deputados) na mudança climática recebeu atenção limitada. A perturbação climática e a poluição plástica são dois grandes desafios ambientais que se cruzam de maneiras complexas. Os deputados influenciam os processos biogeoquímicos, interrompem as bombas de carbono oceânicas e contribuem diretamente para as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Nos ecossistemas marinhos, os deputados alteram o sequestro de carbono natural, afetando o fitoplâncton e o zooplâncton, que são agentes-chave do ciclismo de carbono. Além disso, o plastisfério, uma comunidade microbiana que coloniza os deputados, desempenha um papel significativo na produção de GEE devido às suas diversas redes microbianas.

Uma crise dupla e interligada

Os pesquisadores adotaram uma abordagem narrativa integrativa, analisando 89 estudos publicados principalmente após 2015. A conclusão é clara: a poluição por microplásticos e as mudanças climáticas são crises gêmeas que se retroalimentam e não podem mais ser tratadas de forma isolada.

“A extensão total do impacto dos microplásticos nas mudanças climáticas e na saúde dos oceanos ainda é desconhecida, em grande parte porque a questão é nova, complexa e multifacetada”, afirmam os autores. Eles ressaltam que a literatura científica tem se concentrado mais na identificação e nas estratégias de limpeza, deixando uma lacuna crítica na compreensão dessas ligações sistêmicas.

Produção desenfreada e acúmulo crescente

O cenário é agravado pelo volume colossal de plástico produzido globalmente. Um relatório da ONU de 2025 estima uma produção anual superior a 400 milhões de toneladas, metade para uso único e menos de 10% reciclada. Se nada for feito, a produção pode triplicar até 2060. Dos mais de 8,3 bilhões de toneladas já fabricados, 80% estão em aterros ou no ambiente natural.

Caminhos para soluções integradas

Diante da gravidade da situação, o estudo faz um apelo urgente por ações coordenadas:

  1. Redução na Fonte: Diminuir drasticamente a produção de plásticos de uso único e promover alternativas biodegradáveis.
  2. Gestão de Resíduos: Melhorar globalmente os sistemas de coleta, reciclagem e tratamento.
  3. Pesquisa e Monitoramento: Avançar nos estudos sobre como os microplásticos afetam a temperatura oceânica e os ciclos de carbono.
  4. Governança Global: Criar marcos políticos que enfrentem conjuntamente a poluição por plásticos e as mudanças climáticas. Os pesquisadores sugerem que a ONU revise os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), pois o indicador atual sobre plásticos é insuficiente para capturar os riscos transversais dos microplásticos.

“Enquanto seus impactos atuais podem parecer menores, seu acúmulo crescente aponta para uma significância futura alarmante”, alertam os autores. A proteção da capacidade dos oceanos de regular nosso clima passa, inevitavelmente, pela luta contra a maré de plástico que invadiu suas águas.

Fonte: EcoDebate

Temas: Agua, Crisis climática

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