Nem muito inédito, mas muito viável: a organização do povo para fazer e produzir seu próprio alimento

Por MPA
Idioma Portugués
País Brasil
Foto: Comunicação MPA

O que alimenta a luta, a cozinha como coração do 4º Encontro Nacional do MPA. 32 toneladas de alimento com mais de 90 variedades fortalecendo a luta do campesinato.

A soberania alimentar está no centro do debate político do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e, no 4º Encontro Nacional, existe um lugar onde o vapor das panelas se mistura com o sonho que mostra na prática o caminho para um Brasil que queremos. Não só um Brasil longe do mapa da fome, mas a fome longe do mapa do Brasil. Por isso, a cozinha ‘Junior Mota’ do 4º Encontro Nacional é um território de resistência, onde a história dos camponeses e camponesas se transformam em números: 32 toneladas de alimentos produzidos por famílias camponesas que ganham o tempero do afeto e da solidariedade.

Para quem vive da terra, o que vai ao prato é uma declaração política. Isabel Ramalho, do MPA de Rondônia, explica que existe um abismo entre a comida que o agronegócio oferece e o alimento que a agricultura camponesa familiar produz. “Há uma diferença enorme entre comida e alimento. Comida é aquilo que o agro produz, que é envenenado, que destrói o meio ambiente e não bota no centro o ser humano. Que, muitas vezes, é feito de forma automática. Já o alimento tem uma carga de cuidados, de amor e de dedicação, de alimentar e nutrir, é o de alimentar-se com consciência”. É essa aposta no alimento que revela uma verdade prática que percorre todo o encontro: nem muito inédito, mas muito viável,  a organização do povo para fazer e produzir seu próprio alimento.

Alimentar como um ato de consciência

Coordenar a alimentação para mil e duzentos militantes exige uma logística de precisão e de planejamento, mas não permite abrir mão da humanidade. Segundo Leomárcio Araújo, da coordenação nacional do MPA e uma das pessoas à frente da coordenação da cozinha, revela que o planejamento começou meses antes, mobilizando 11 estados brasileiros. “Conseguimos mobilizar 32 toneladas de alimento. São 92 variedades que chegaram à nossa cozinha, vindo de mais de 100 família.” Grande parte, adquirida via compras institucionais por meio da Companhia Nacional de Abastecimento, garantindo renda para quem produz e saúde para quem consome.

É Importante salientar que o MPA defende o fortalecimento e reestruturação em nível nacional da CONAB, transformando-a na CONABRAS (em alusão à Petrobras), uma empresa pública com orçamento próprio para dar conta da dimensão estratégica da política nacional de abastecimento popular, capaz de atuar para reduzir os custos dos alimentos nas pequenas e grandes cidades, cumprindo um papel fundamental na soberania alimentar nacional do Brasil.

A equipe de 57 pessoas que atuam diretamente dentro da cozinha, se divide em turnos que começam na madrugada, como relata Sônia Costa, do Piauí. Para ela, o espaço é de aprendizado inigualável. “É o espaço onde você tem que colocar todo o seu carinho e respeito para com o alimento e as pessoas. Nossa equipe joga todo o seu amor na produção. Sem alimento, ninguém consegue ficar em pé.”

Com militantes vindos de todos os cantos do país, a tarefa da cozinha tem a tarefa não só de oferecer alimento, mas de diversificar e agradar todos os paladares. A nutricionista Ana Paula explica que o cardápio é pensado para respeitar as culturas regionais e as necessidades de cada um, incluindo opções vegetarianas e veganas. “A gente pensa nessa alimentação que contempla praticamente todos os gostos. Comida também é acolhida, é carinho.”

A cozinha do MPA reforça que a agricultura camponesa é estratégica para a solução de alimentar o país com saúde e dignidade. Quando o milho é descascado em mutirão e o arroz é servido com sorriso no rosto, o trabalho deixa de ser fardo para virar combustível.

É um amor que transborda o coração, perpassa o trabalho coletivo e alimenta a militância. Cada prato servido neste encontro é a prova de que, quando o campo planta com amor, a cidade e o movimento colhem soberania.

Fuente:  Movimento dos Pequenos Agricultores

Temas: Agricultura campesina y prácticas tradicionales, Movimientos campesinos, Soberanía alimentaria

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