Volkswagen volta ao banco dos réus por trabalho análogo à escravidão no Pará

Idioma Portugués
País Brasil
Imagem da visita parlamentar de 1983 mostra um trabalhador fugido da Fazenda Volkswagen dentro da caminhonete, após ser capturado pelo “gato” Abilão/ Créditos: Arquivo pessoal/Expedito Soares

A Volkswagen enfrentará, nesta manhã, às 9h, o julgamento na segunda instância da Justiça do Trabalho por ter submetido trabalhadores a condições análogas às de trabalho escravo na antiga Fazenda Vale do Rio Cristalino, localizada em Santana do Araguaia (PA). O caso será analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, em Belém, e reacende o debate sobre a responsabilidade empresarial por violações de direitos humanos na Amazônia durante o período da ditadura militar.

A condenação em primeira instância, obtida em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho, fixou indenização de R$ 165 milhões por danos morais coletivos. A denúncia que fundamentou a ação e contribuiu para a condenação teve origem em documentos e registros feitos pela Comissão Pastoral da Terra, que historicamente acompanharam e denunciaram as violações ocorridas na região. Apesar do reconhecimento judicial da escravização de trabalhadores e do conjunto probatório produzido ao longo do processo, a empresa recorreu, levando o caso ao julgamento de segunda instância.

Além da ação coletiva, quatro trabalhadores rurais também ajuizaram processos individuais pleiteando a reparação pela violação dos seus direitos individuais, reforçando a relevância social, histórica e jurídica do caso.

Diante desse julgamento, o Coletivo Veredas, a Comissão Pastoral da Terra/Regional Pará, a Universidade Federal do Pará (por meio da Clínica de Combate ao Trabalho Escravo Frei Henri Burin des Rosiers) e o Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo/NEPP-DH da Universidade Federal do Rio de Janeiro convidam a imprensa e a sociedade a acompanharem a audiência, ressaltando a importância da memória, da reparação e do enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo.

A mobilização busca dar visibilidade ao processo e reafirmar que a responsabilização por violações graves de direitos humanos é elemento fundamental para a construção de justiça e garantia de não repetição.

Audiência:

• Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região – Belém (PA)

• 24 de fevereiro de 2026, às 9h

Acesse o release completo abaixo:

BELÉM/PA – A Volkswagen enfrentará, nas próximas semanas, um julgamento decisivo relacionado ao uso de trabalho análogo à escravidão em sua antiga propriedade, a Fazenda Vale do Rio Cristalino, localizada em Santana do Araguaia (PA). Os fatos, ocorridos entre as décadas de 1960 e 1980, colocam em xeque a responsabilidade corporativa por violações graves de direitos humanos na Amazônia durante a ditadura militar.

Histórico e Condenação Milionária

​Em agosto de 2025, em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a Justiça do Trabalho julgou a Volkswagen culpada pelo uso de mão de obra escrava e condenou a empresa ao pagamento de R$ 165 milhões por danos morais coletivos. Apesar das fartas provas produzidas ao longo do processo e do reconhecimento judicial da escravização de trabalhadores, a empresa interpôs recurso. ​O caso agora se encontra na segunda instância e será julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8), em Belém, no próximo dia 24 de fevereiro às 9h.

TRT8: Vanguarda no Combate ao Trabalho Escravo

​O julgamento ocorre sob a jurisdição de um tribunal reconhecido nacionalmente por seu pioneirismo histórico. O TRT8 detém o marco de ter proferido a primeira sentença sobre trabalho escravo no Brasil, em 1976. A Corte possui uma tradição consolidada de decisões rigorosas e imposição de danos morais vultuosos contra o trabalho degradante, reafirmando sua posição de vanguarda na defesa da dignidade humana e na aplicação de penas que visam a reparação integral e o caráter pedagógico.

Ações Individuais

Além da Ação Civil Pública proposta pelo MPT, em dezembro de 2025, a Volkswagen foi processada por quatro trabalhadores rurais que acusam a companhia de tê-los submetido à escravidão contemporânea na Fazenda Vale do Rio Cristalino no final dos anos 1980. Os trabalhadores reivindicam o pagamento de indenizações no valor de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) por danos morais e existenciais. As ações aguardam julgamento pela primeira instância da Justiça do Trabalho. 

Relevância Social e Memória

​Essa sequência de julgamentos recoloca no centro do debate público a responsabilidade histórica de grandes empresas por violações de direitos humanos na Amazônia. Trata-se não apenas de reparação financeira, mas de reconhecimento da verdade histórica e de afirmação de que a escravidão contemporânea é crime e exige responsabilização.

24 de fevereiro de 2026

Coletivo Veredas

Contato: José Vargas (94)99289-9294; Daiana Adorno (16)99776-5635 e Andreia Silvério (94)99290-5682

Comissão Pastoral da Terra Pará

Contato: Francisco Alan – Coordenação da CPT-PA  (94)99298-9187

Clínica de Combate ao Trabalho Escravo da UFPA, Frei Henri Burin des Rosiers

Contato: Valena Jacob (91)99130-3904; Heitor Gimarães (91)98386-3272

Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo/NEPP-DH/UFRJ

Contato: Ricardo Rezende (21)99826-1403

Fonte:  Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Temas: Criminalización de la protesta social / Derechos humanos

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