Brasil: Comunidade indígena Pacurity está amaeçada de despejo, apesar de ordem de demarcaçao

Idioma Portugués
País Brasil

A mesma subseção judiciária que determinou a demarcação de terras indígenas do Mato Grosso do Sul concedeu ordem de reintegração de posse aos herdeiros de uma fazenda que incide sobre a comunidade Pacurity, onde vivem famílias Guarani-Kaiowá desde antes da colonização do estado.

As famílias se distribuem em 80 hectares, entre o que sobrou de mata, a rodovia BR-463 e a plantação da fazenda.Assim como na maioria das comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, direitos básicos como o acesso à alimentação adequada e à água potável ainda é uma realidade distante para os Guarani-Kaiowá em Pacurity.

A região que abrange a comunidade, junto com Apyka’i, faz parte da Terra Indígena denominada Dourados-Peguá, com demarcação prevista no Compromisso de Ajustamento de Conduta que a Fundação Nacional do Índio (Funai) firmou com o Ministério Público Federal (MPF) em 2007 e que foi executado judicialmente nessa segunda-feira (19), obrigando a União a demarcar as terras indígenas reivindicadas no estado.

A reintegração foi concedida aos herdeiros da Fazenda São José, propriedade de 260 hectares que tem 127 deles arrendados para o plantio de soja. No processo, a alegação é de que os indígenas são violentos, ameaçam o arrendatário, roubam os animais e o impedem de plantar.

O Ministério Público Federal abriu inquérito em 2005 para investigar Atílio Torraca, um proprietário falecido em 2012, por um incêndio criminoso que devastou as casas dos indígenas. Em 2013, o MPF constatou que um dos cemitérios indígenas fora destruído e, de acordo com os indígenas, a mando de Torraca.

Hoje as terras do Pacurity já não oferecem aos indígenas a caça farta de antes e o pouco que conseguem plantar, no solo gasto de agrotóxicos, muitas vezes é sabotado por funcionários das fazendas. (pulsar)

Com informações do Cimi.

Fuente: Pulsar Brasil

Temas: Pueblos indígenas, Tierra, territorio y bienes comunes

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