Cooperativas da Reforma Agrária fortalecem produção e comercialização com encontros no PR

Reunião Estadual das Cooperativas da Reforma Agrária do Paraná, março de 2025. Foto: Camila Calaudiano

Nos meses de março e abril, a Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA/PR) realizou diversas atividades, entre elas o Encontro Estadual das Cooperativas, na Escola Milton Santos, em Maringá. Foram realizados encontros para formação, debates e reflexão sobre o desenvolvimento da produção e comercialização dos produtos camponeses.

Na Escola Milton Santos de Agroecologia, em Maringá, foram dois dias intensos com aproximadamente 120 pessoas, entre associados/as, dirigentes e assessores técnicos, que atuam nas 31 cooperativas e associações vinculadas à Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA/PR), promovendo um espaço estratégico de debate sobre políticas públicas, inovação e desafios das cooperativas.

A reunião teve como objetivo principal avaliar a conjuntura atual e fortalecer as estratégias de produção e comercialização, além de avançar na organização da Reforma Agrária Popular. O destaque do primeiro dia foi a análise de conjuntura realizada por Diego Moreira, da direção nacional do Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que contextualizou os desafios globais, latino-americanos e nacionais que impactam diretamente a luta pela terra e na produção de alimentos saudáveis.

Armelindo da Maia, conhecido como Beá, membro da Direção Estadual do Setor de Produção, destacou a importância de estruturar as cooperativas em quatro eixos: produção, industrialização, comercialização e crédito. A meta é fortalecer um sistema integrado de cadeias produtivas de acordo com as características de cada região.

Mística de abertura do encontro. Foto: Camila Calaudiano

Projetos estratégicos para massificar a Agroecologia também foram discutidos, incluindo investimentos em bioinsumos, mecanização, energia, mudas e reflorestamento. A proposta é tornar os assentamentos em territórios cooperados e ambientalmente sustentáveis.

Também foi abordada na reunião a participação das cooperativas do Paraná na 5ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que levou 20 toneladas de produtos e alimentos agroecológicos para o evento realizado entre os dias 8 e 11 de maio, no Parque da Água Branca, em São Paulo.

A reunião reforçou a importância da cooperação e da intercooperação para a valorização da agricultura camponesa, para a produção de alimentos saudáveis e para a urgência de massificar o debate e a construção da Agroecologia como enfrentamento às crises ambientais e sociais que vivemos na atualidade.

Os encaminhamentos do encontro fortalecem a cooperação e intercooperação, a organização e a agroecologia, ampliando o impacto social e econômico da Reforma Agrária Popular.

Seminário reforça papel do cooperativismo na Reforma Agrária Popular

“Mostrar que a Reforma Agrária dá certo! […] vale a pena, e mostrar que os trabalhadores do Movimento Sem Terra e agricultores familiares arregaçam as mangas e trabalham para produzir alimentos para o povo brasileiro”. Para o assentado Claudemir de Oliveira, esse é o objetivo de uma cooperativa para os trabalhadores e trabalhadoras da brigada Cacique Guairacá, que desejam iniciar uma. O Seminário de Cooperação na Reforma Agrária, que buscou orientar os assentados, aconteceu nos dias 1° e 2 de abril, com a realização de atividades de formação política, no assentamento Nova Geração, em Guarapuava/PR.

Durante os dois dias de atividades, os trabalhadores da região puderam entender e tirar suas dúvidas sobre o cooperativismo dentro dos assentamentos, resgatando a importância da organização coletiva e da luta organizada para o avanço da Reforma Agrária Popular.

Seminário de Cooperação com a Brigada Cacique Guiracá, em Guarapuava/PR. Foto: Josenildo Arruda

Ao contrário do agronegócio, o cooperativismo é uma forma de se organizar coletivamente com o mesmo propósito – produzir alimentos saudáveis e nutritivos, que alimentam o povo sem ir na contramão da natureza, prejudicando o planeta e os que vivem nele.

Organizar as áreas de Reforma Agrária é fundamental para a consolidação do direito à terra. Não basta conquistá-la, é preciso usufruir dela, produzindo diversidade de alimentos, com qualidade nutricional e que possam chegar à mesa da população brasileira.

Além de discutir os fundamentos do cooperativismo, o seminário promoveu reflexões sobre a participação das famílias e a produção coletiva e agroecológica, destacando seu papel na garantia da segurança alimentar dos brasileiros.

Formação reúne jovens e mulheres para debater comercialização e construção de novas práticas no campo

No início de abril, jovens e mulheres de diferentes regiões do Paraná se reuniram no Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO) para participar da primeira etapa do curso “Gestão Comercial, Relações Humanas e Juventude”, em parceria firmada entre a CCA-PR e Fundação Mundukide. A formação teve como objetivo fortalecer o protagonismo da juventude e das mulheres nas estratégias de organização e produção camponesa.

Curso de Gestão Comercial, Relações Humanas e Juventude, no Ceagro, em Rio Bonito do Iguaçu. Foto: Maíra Fernandes

Durante quatro dias, cerca de 50 participantes, entre jovens assentados, assentadas e integrantes de cooperativas da Reforma Agrária, aprofundaram debates sobre autogestão, agroindustrialização, comercialização solidária e os desafios enfrentados por mulheres e jovens na condução desses processos. Além de palestras e momentos de estudo, a programação incluiu oficinas práticas e rodas de conversa com experiências bem-sucedidas de comercialização coletiva e produção agroecológica.

A formação também reforçou a importância da construção de espaços com perspectiva feminista e geracional dentro das cooperativas, apontando que a consolidação de sistemas de comercialização mais justos passa pelo enfrentamento das desigualdades de gênero e pela valorização das juventudes do campo.

Encontros como esses reforçam a importância da organização coletiva, da formação política e da intercooperação na produção agroecológica, como caminhos para a consolidação do projeto de Socialismo e para o enfrentamento dos desafios de construir um futuro com soberania alimentar, justiça social, equidade de gênero e sustentabilidade ambiental.

Mística de encerramento. Foto: Matheus Anziliero

- Editado por Fernanda Alcântara.

Fonte: MST - Brasil

Temas: Agroecología, Formación, Movimientos campesinos

Notas relacionadas:

Mujeres campesinas, ribereñas y defensoras del bosque en lucha por una reforma agraria integral y popular

Mujeres campesinas, ribereñas y defensoras del bosque en lucha por una reforma agraria integral y popular

Série de videoaulas “Saberes da Agrofloresta” ensina como produzir Microrganismos Eficientes (EM) em casa

Série de videoaulas “Saberes da Agrofloresta” ensina como produzir Microrganismos Eficientes (EM) em casa

Todas las fotos por Juan Alaimes

La Soberana: una yerba campesina, agroecológica y a precio justo

O MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, e avança em projetos para ampliação da escala em outras cadeias produtivas. Foto: Priscila Ramos

Massificação da agroecologia é a resposta do MST ao agronegócio e ao imperialismo no campo

Comentarios