Instituto Federal e MST lançam programa que fortalece a produção de mulheres camponesas em AL

Ao todo, 150 mulheres assentadas e acampadas serão beneficiadas com a estruturação e ampliação de quintais produtivos agroecológicos, que integram horticultura, fruticultura e criação de pequenos animais.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Instituto Federal de Alagoas (IFAL) lançaram nesta terça-feira (13), no Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares em Atalaia, Alagoas, o projeto “Plantadeiras de Semente Boa: Quintais Agroecológicos da Mata Alagoana”, uma iniciativa que fortalece a autonomia econômica, a segurança alimentar e o protagonismo das mulheres camponesas em territórios de Reforma Agrária.

O programa será desenvolvido nos municípios de Atalaia e Joaquim Gomes, regiões marcadas historicamente por conflitos agrários no estado, pela monocultura da cana-de-açúcar e pela resistência das famílias assentadas. Ao todo, 150 mulheres assentadas e acampadas serão diretamente beneficiadas com a estruturação e ampliação de quintais produtivos agroecológicos, que integram horticultura, fruticultura e criação de pequenos animais.

A proposta parte do reconhecimento do papel central das mulheres na produção de alimentos saudáveis, no cuidado com a família e na preservação dos saberes tradicionais. O projeto tem como objetivo promover a autonomia e resistência, em locai em que as mulheres exercem controle sobre a produção e a renda, rompendo com relações históricas de desigualdade de gênero no campo, fortalecendo a produção agroecológica e garantindo alimentos saudáveis para o autoconsumo, além da geração de renda por meio da comercialização do excedente.

Beneficiárias, como dona Quitéria da Silva Santos, estão felizes, pois em sua maioria são mulheres assentadas que passaram a vida trabalhando para os latifundiários e agora, graças ao projeto, vão ter a oportunidade de construir ou reconstruir seus quintais produtivos, expandindo conhecimentos sobre agroecologia e aumentando o nível de produção e qualidade. “Hoje eu me sinto realizada, pois produzo na minha própria terra. Espero que esse projeto consiga melhorar o plantio e a criação dos agricultores, que enfrentam tantas dificuldades com a falta de políticas públicas”, disse dona Quitéria.

“Esse projeto tem a intenção de atender 150 mulheres, e fomentar a produção agroecológica, estruturar ou reestruturar os quintais produtivos, gerar renda, ampliar a participação dessas mulheres nos programas públicos de comercialização, fortalecer a construção de grupos produtivos entre elas […]”, explica a coordenadora geral do projeto, Beatriz Medeiro de Melo.

O projeto é financiado pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio da Subsecretaria de Mulheres Rurais do Programa Quintais Produtivos e executado pelo Instituto Federal de Alagoas (IFAL), em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST).

Além disso, o projeto contribui para o fortalecimento das Cozinhas Solidárias, ampliando as redes de solidariedade entre campo e cidade, e criando condições para a permanência das mulheres e da juventude no campo.

Ato de lançamento

O ato de lançamento do projeto reuniu mulheres assentadas, militantes do MST, estudantes, técnicos e representantes do IFAL, reafirmando o compromisso coletivo com a agroecologia e com a luta por justiça social no campo.

Representantes do MST ressaltaram que a iniciativa fortalece uma estratégia histórica do Movimento, que é inserir as mulheres no centro da produção de alimentos saudáveis e da construção da soberania alimentar, enfrentando o modelo do agronegócio e a lógica dos agrotóxicos.

“A nossa tarefa é semear a terra, é cuidar da terra, preservar a natureza para que a gente siga existindo nesse estado, nesse país e nesse mundo”, destaca Débora Nunes, da direção nacional do MST.

Já o IFAL destacou a importância da parceria com os movimentos populares, reafirmando o papel da educação pública na construção de soluções voltadas às realidades dos territórios e no fortalecimento da agricultura familiar camponesa.

Em um estado marcado pela desigualdade social e pela concentração de terras, o projeto de Quintais Agroecológicos se apresenta como resposta concreta às vulnerabilidades históricas vividas pelas mulheres do campo. Ao fortalecer a organização coletiva, a produção agroecológica e o acesso a políticas públicas, a iniciativa contribui para a construção de territórios mais justos, sustentáveis e com protagonismo feminino.

A parceria entre MST e IFAL reafirma que a Reforma Agrária Popular, aliada à agroecologia e à luta das mulheres, é um caminho fundamental para garantir comida saudável no prato do povo e dignidade para quem vive e trabalha no campo.

-Editado por Solange Engelmann.

Fonte: MST - Brasil

Temas: Agricultura campesina y prácticas tradicionales, Agroecología, Feminismo y luchas de las Mujeres

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