Os povos das florestas convidam a Marcha em Xapuri: Com Chico Mendes no empate contra o capitalismo verde

Idioma Portugués
País Brasil

Os povos da floresta e todas organizações apoiadoras, professores e pesquisadores e todas aquelas e aqueles que defendem o verdadeira legado de Chico Mendes farão, no dia 14 de dezembro, a marcha “Chico Mendes no Empate contra a Financeirização da natureza”!

QUANDO: 14 de dezembro - 17 h.

Quais os objetivos desta ação?

A nossa intenção é simples: homenagear Chico Mendes. Ele foi um dos grandes líderes na luta dos povos da floresta contra a espoliação capitalista da Amazônia. Queremos, também, denunciar os abusos da imagem de Chico Mendes por parte do governo do Acre, de certas ONGs, agências de desenvolvimento e bancos que apresentam ele como se fosse o “patrono da Economia Verde” e, com isto, tentam legitimar novas formas de exploração capitalista. Outro objetivo, com o encontro em Xapuri, é informar a sociedade sobre os perigo que a financeirização da natureza e projetos como REDD (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação floresta) e PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) representam especificamente para os povos da floresta.

Como posso participar?

Os povos da floresta e todas organizações apoiadoras, professores e pesquisadores e todas aquelas e aqueles que defendem o verdadeira legado de Chico Mendes farão, no dia 14 de dezembro, a marcha “Chico Mendes no Empate contra a Financeirização da natureza”!

Caso não possa estar presente à marcha, compartilhe os conteúdos da campanha pelas redes, seja Facebook, Whatsapp, Instagram, etc. Ajude-nos a espalhar a mensagem de Chico Mendes para todos os lados! E, claro, também converse com amigas e amigos, familiares e vizinhos sobre a iniciativa – nossa interação não acaba nas redes!

Separamos também algumas publicações que este movimento já produziu. Acesse-as  AQUI. Nestes materiais, você poderá se aprofundar sobre os temas da financeirização da natureza e outras das falsas soluções do capitalismo verde.

Chico Mendes, 30 anos depois

O que significa “financeirização da natureza”?

A natureza não é mercadoria! Neste sentido, nossa Constituição, no seu  artigo 225, estabelece que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é bem de uso comum do povo. Entendemos que os processos com os quais a floresta sustenta a vida, como regulação do clima, estocagem de carbono, purificação das águas, preservação da biodiversidade e do solo, precisam ser preservados e defendidos por nós como sociedade e pelo poder público.

Contrários à este princípio, novas leis, como a Lei SISA (Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais), do Acre, e o Novo Código Florestal, transformam estes processos naturais em “serviços ambientais” para que possam ser vendidos e comprados. Indústrias, ao invés de reduzir suas atividades poluentes, podem agora “legalmente”, através da compra de certificados destes “serviços”, pagar para continuar poluindo. Projetos do tipo REDD e PSA, ao gerarem estes tipos de certificados, convertem a crise ambiental e climática em “oportunidade de negócio” para os donos do capital.

Mas afinal, o que são REDD e PSA e qual é o problema com estes tipos de projeto?

O mecanismo de REDD (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação) não diminuirá a poluição. É uma farsa. Na verdade, na melhor das hipóteses, significa trocar “seis por meia dúzia”. As empresas poluidoras dos países ricos do Norte Global pagarão para os países do Sul e continuarão a poluir. Nesse contexto, povos indígenas e comunidades tradicionais estão sendo assediados por ONGs a serviço das empresas do Norte para que firmem contrato cedendo suas terras e florestas para a captura de CO2.

Com o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), a relação com a natureza passa a ser mercantilista, ou seja, os princípios de respeito do ser humano para com a natureza passam a ter valor de mercado e medição nas bolsas de valores. O dinheiro resolveria tudo, pagaria tudo – sendo que a realidade é exatamente oposta.

fonte:  Cimi

Temas: Economía verde, Extractivismo

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