FASE denuncia os impactos da expansão do agronegócio em Moçambique e apoio governamental brasileiro

Idioma Portugués
País África

A publicação apresenta uma análise dos dados e consequências do programa ProSavana, que busca implantar o agronegócio no Norte do país africano, através de um acordo de cooperação triangular entre Brasil, Japão e Moçambique.

Por Nana Medeiros, da comunicação da Abong

No começo de agosto, foi realizada em Maputo, capital de Moçambique, a Conferência Triangular dos Povos, na qual a FASE – Solidariedade e Educação, organização associada da Abong, promoveu o lançamento do estudo Cooperação e Investimentos do Brasil na áfrica – O caso do ProSavana em Moçambique. A publicação apresenta uma análise dos dados e consequências do programa ProSavana, que busca implantar o agronegócio no Norte do país africano, através de um acordo de cooperação triangular entre Brasil, Japão e Moçambique.

Em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, os governos desses países e o agronegócio pretendem explorar o território conhecido como Corredor de Nacala, de cerca de 14 milhões de hectares, ignorando os interesses e reais necessidades da população camponesa que ali reside e trabalha. Fátima Mello, em artigo publicado no Brasil de Fato, afirma que, entre os agentes de apropriação e exploração do território, estão corporações, agências de cooperação e bancos públicos.

Em julho, também representada pela diretora Fátima Mello, a FASE esteve presente na Conferência Nacional de Política Externa, realizada em São Paulo, para debater a participação da sociedade civil nas relações internacionais estabelecidas pelo governo brasileiro. Durante o evento, Fátima destacou a luta por atenção à agricultura familiar e camponesa, denunciando o poder de influência do empresariado frente ao descaso com os interesses da população e ressalvas das organizações sociais. Citando o caso ProSavana, afirmou que movimentos sociais ligados à luta pela terra e justiça ambiental não foram sequer consultados.

Segundo Fátima, “a FASE vem acompanhando a política externa brasileira nos últimos 10 anos, especialmente a cooperação na área de agricultura. Há cerca de um ano, organizamos uma visita de duas organizações moçambicanas, a UNAC e a ORAM, ao Cerrado brasileiro, onde a FASE de Mato Grosso atua há décadas na resistência ao avanço dos monocultivos. O intuito da visita foi conhecer os impactos do modelo implantado pelo Proceder, programa referência para o ProSavana. Desde então a parceria entre a FASE e entidades de Moçambique tem crescido e se ampliado, incluindo trocas de informações, pesquisa conjunta, iniciativas coordenadas de incidência e advocacia sobre seus respectivos governos”.

Quanto à Conferência dos Povos, Fátima acredita que foi uma oportunidade para organizações camponesas de Moçambique expressarem claramente suas críticas ao conteúdo, ao processo e à falta de informação e consulta aos verdadeiros donos da terra onde pretende-se implantar o programa. Apesar disso, afirma que o governo vem respondendo muito mal às denúncias, “recusando o debate de mérito e afirmando que se trata apenas de um problema de comunicação”.

Luis Muxangue, coordenador da Conferência e representante da União Nacional de Camponeses (UNAC) de Moçambique, em entrevista à rádio RFI, declarou que o encontro colaborou para pensar novas estratégias de melhoramento de políticas públicas, visando assim um desenvolvimento integrado entre os países.

Para Muxangue, o ProSavana, desde sua concepção, prega uma não-integração das famílias camponesas, sendo essas o principal alvo do programa. Segundo ele, os camponeses precisam do território extenso cobiçado pelo agronegócio para poder sobreviver – uma vez que utilizam um método de rotação de culturas. O agronegócio, baseado em monoculturas voltadas para a exportação, é incompatível com as práticas de agricultura familiar. Muxangue afirmou também que, forçado a se adaptar aos limites impostos pelo programa, o campesinato pode passar a enfrentar preocupantes conflitos sociais.

A sociedade civil também denuncia a falta de diálogo em comparação com o contato com os setores privados. Para ele, “o governo se diz aberto ao diálogo, mas isso não se traduz em termos práticos. Em alguns casos, a sociedade civil moçambicana é tida como contra o desenvolvimento do país, mas não se trata disso. Nos preocupamos com o tipo de desenvolvimento que está sendo proposto, a forma que isso ocorre e até que ponto esse desenvolvimento atravessa questões endógenas”.

Segundo Fátima Mello, “a FASE pretende de um lado resistir e denunciar a insustentabilidade do modelo de cooperação e investimentos que o Brasil está levando para Moçambique, que na verdade traduzem o poder do agronegócio no Brasil. Por outro lado pretende incidir no debate dentro do Brasil sobre a necessidade de democratização do processo decisório na formação da política externa e em especial na decisão sobre a cooperação e investimentos”.

Fuente: farmlandgrab.org

Para acceder al documento (formato PDF) haga clic en el enlace a continuación y descargue el archivo:

Temas: Acaparamiento de tierras, Agronegocio

Notas relacionadas:

Una reforma que abre las puertas a la venta de tierras públicas

Una reforma que abre las puertas a la venta de tierras públicas

Foto: XR-Misiones

El modelo Arauco en Misiones: amenazas, detenciones y casas quemadas con complicidad estatal

Licitação do governo federal para dragagem do Rio Tapajós expõe conflitos históricos de um dos rios mais importantes da Amazônia. Foto: MPF/PA

DADOS PARCIAIS 2026: Mesmo com menos assassinatos, conflitos no campo apresentam crescimento no 1º semestre do ano

Una cosechadora recolecta almendras en una explotación intensiva de Ejea de los Caballeros (Zaragoza). Grupo Tenías

Parte 1: Los fondos de inversión tensionan el campo español comprando las mejores tierras, inflando precios y amenazando el modelo agrícola tradici...

Comentarios