Brasil: Sem Terra abrem colheita do arroz agroecológico no RS

Idioma Portugués
País Brasil

Para a safra 2015/2016 a estimativa dos assentados de Viamão é colher 125 mil sacas, numa área plantada de 1.600 hectares. A colheita simbólica de 50 sacas de arroz marcou a 13ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz Agroecológico, realizada na última sexta-feira (18) pelo MST do Rio Grande do Sul, no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre. O evento reuniu cerca de 1.500 pessoas, entre assentados e acampados de todo o estado e apoiadores do Movimento.

Anterior à colheita, às margens da lavoura, o assentado e coordenador da Associação de Moradores do Assentamento Filhos de Sepé (AASIF), Moisés de Moura resgatou a história do assentamento, que em dezembro deste ano completa 18 anos e é considerado Território Livre de Transgênicos e de Agrotóxicos.

Ele também falou sobre a luta por democratização da terra e a produção de alimentos no local, que hoje está direcionada para frutas, hortaliças, panifícios e arroz.

“Nós somos a prova de que a Reforma Agrária dá certo. Hoje, com a organização do MST e do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico temos todas as ferramentas necessárias para poder produzir e levar alimentos saudáveis às famílias do campo e da cidade”, disse.

Para a safra 2015/2016 a estimativa dos assentados de Viamão é colher 125 mil sacas, numa área plantada de 1.600 hectares. Já em todo o estado, a expectativa é colher em tono de 480 mil sacas de arroz, entre grãos e sementes.

O alimento é produzido por 556 famílias, em 17 assentamentos e 13 municípios. O MST é conhecido hoje como o maior produtor de arroz agroecológico do Brasil.

Ato solene

Após a abertura oficial da colheita na lavoura, na Sede Comunitária do Setor A do assentamento foi realizado um ato solene com a presença de autoridades do município de Viamão, além dos ex-governadores do Rio Grande o Sul, Tarso Genro e Olívio Dutra, lideranças de outros movimentos populares e representantes dos governos estadual e federal.

Tarso Genro apresentou elementos da atual conjuntura política do Brasil. Segundo ele, há uma forte mobilização da grande mídia, do poder judiciário e dos setores conservadores da sociedade e da política brasileira “para a retirada da presidente Dilma Rousseff de um governo que foi legitimamente eleito nas urnas”.

“Sabemos das limitações deste governo e dos problemas que estamos vivendo no país, seja na reforma agrária, na saúde ou educação. Mas a direita usa da mídia e do judiciário para impedir a presidente que não cometeu nenhum crime. Querem pressioná-la para tirá-la do poder e isso se chama golpe”, destacou Genro.

Ele também acrescentou que a atual conjuntura política se assemelha à de 1964, quando foi instalada com a intervenção de organizações internacionais a ditadura militar no Brasil.

“O golpe de hoje é mais complexo. Ele se vale da mídia para convencer que os problemas da sociedade brasileira iniciaram no governo Lula. Isso é uma farsa, no governo Lula é que começou a se investigar escândalos de corrupção.

Agora é momento de mobilização, vigilância e de firmeza, porque boa parte das pessoas que estão nas ruas hoje tem mentalidade fascista e autoritária. Se acontecer o golpe, as primeiras vítimas serão os movimentos populares camponeses.

O fascismo não tolera a oposição. Precisamos de um projeto que realmente combata as desigualdades sociais, com participação de renda, popular e do Estado”, argumentou.

O superintendente regional do Incra, Roberto Ramos, representando o governo federal, declarou que mais de 90% da produção agroecológica do RS vem de assentamentos do MST e que o arroz produzido pelas famílias assentadas é um dos principais produtos da reforma agrária.

“Para nós, apoiadores da reforma agrária, é uma grande honra ter dentro dos assentamentos famílias envolvidas na produção de arroz. Que esta seja uma colheita farta e que a produção agroecológica sirva para manter erguidas nossas bandeiras de lutas e para preservarmos tudo o que construímos nos últimos anos”, afirmou.

O dirigente estadual do MST, Cedenir de Oliveira, complementou que a produção de arroz agroecológico faz parte da estratégia da Reforma Agrária Popular, adotada pelos Sem Terra nos últimos anos e que tem entre seus objetivos principais a soberania alimentar.

“Não basta dividirmos os latifúndios e garantir terra para quem nela quer trabalhar. É importante construirmos um modelo de produção diferenciado daquele que está aí e debatermos com a sociedade essas questões. Hoje, nós estamos comprovando que é possível, sim, produzirmos um alimento mais saudável e sem o uso de agrotóxicos”, concluiu.

Fuente: MST - Brasil

Temas: Agroecología

Notas relacionadas:

Mujeres campesinas, ribereñas y defensoras del bosque en lucha por una reforma agraria integral y popular

Mujeres campesinas, ribereñas y defensoras del bosque en lucha por una reforma agraria integral y popular

Série de videoaulas “Saberes da Agrofloresta” ensina como produzir Microrganismos Eficientes (EM) em casa

Série de videoaulas “Saberes da Agrofloresta” ensina como produzir Microrganismos Eficientes (EM) em casa

Todas las fotos por Juan Alaimes

La Soberana: una yerba campesina, agroecológica y a precio justo

O MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, e avança em projetos para ampliação da escala em outras cadeias produtivas. Foto: Priscila Ramos

Massificação da agroecologia é a resposta do MST ao agronegócio e ao imperialismo no campo

Comentarios